Título: Emprego e salário caem na indústria
Autor: Jacqueline Farid
Fonte: O Estado de São Paulo, 17/08/2005, Economia & Negócios, p. B1
RIO - O mercado de trabalho industrial piorou em junho na comparação com maio, com queda de 0,6% no emprego e de 2,4% na folha de pagamento real. Para a economista Isabela Nunes, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as reduções anularam ganhos anteriores e levaram a uma "manutenção do estoque do emprego" no setor. Para ela, os dados de junho revelam "stand by" dos empresários na decisão de investir na contratação de pessoal. Apesar da redução em relação ao mês anterior, a ocupação na indústria prosseguiu na trajetória de crescimento na comparação com junho do ano passado (1,3%) e fechou o primeiro semestre com expansão de 2,3% ante igual período do ano anterior. Para Isabela, isso mostra que, apesar da parada das contratações em junho, o quadro do mercado de trabalho industrial é bem melhor este ano do que em 2004.
A economista explica que, além de a indústria responder tradicionalmente com defasagem ao aumento na produção para efetuar contratações, a situação está sendo agravada pelo fato de os setores que estão aquecendo a atividade não estarem entre os principais empregadores. Ela destaca o fato de que segmentos que utilizam mais mão-de-obra, como vestuário, têxtil e calçados, estão mostrando reação lenta ou até mesmo queda na produção.
"É como se o empregador estivesse olhando o cenário para ver se é um bom momento para contratação", diz Isabela, justificando a defasagem na resposta do emprego à reação da produção do setor no segundo trimestre, que apontou taxas elevadas da atividade industrial.
De acordo com ela, "o cenário econômico é positivo, mas a decisão de contratar vai além disso, tem a ver com uma avaliação, uma expectativa do empregador". Indagada se a crise política está influenciando negativamente essa expectativa, Isabela disse que as informações da pesquisa do IBGE não permitem avaliar se há esse efeito.
A folha de pagamento real da indústria também mostrou crescimento nas comparações com o ano passado, em junho (3,3%) e no acumulado do primeiro semestre (4,2%). Segundo Isabela, a queda da renda na indústria ante o mês anterior foi influenciada pela base de comparação elevada dos meses anteriores de 2005, já que o pagamento de bônus e benefícios, que antes ocorriam em dezembro, agora são feitos no primeiro trimestre do ano.
Além disso, segundo ela, "se não há aumento de estoque de pessoas, também não há pressão para cima na folha, exceto se há reajustes por data-base, o que não ocorreu em junho". O índice de média móvel trimestral - considerado o principal indicador de tendência - da folha confirmou a tendência de queda, já que o trimestre encerrado em junho apresentou variação negativa de 1% em relação ao terminado em maio.