Título: Risco vai a 404 pontos e dólar sobe
Autor: Mario Rocha, Silvana Rocha e Lucinda Pinto
Fonte: O Estado de São Paulo, 17/08/2005, Economia & Negócios, p. B12

O depoimento do doleiro Toninho da Barcelona à Polícia Federal trouxe a volatilidade de volta aos mercados. O risco país retornou à casa dos 400 pontos (404), em alta de 2,80%, o Ibovespa caiu 1,08%, o A-Bond perdeu 0,40%, vendido com ágio de 2%, e os juros futuros de longo prazo projetaram alta. O dólar teve alta de 1,16%, para R$ 2,357, e o paralelo avançou 0,38%, para R$ 2,627. Os investidores temiam que o doleiro revelasse algum esquema de envio ilegal de recursos ao exterior relacionado com a campanha eleitoral de 2002.

Na Bolsa paulista, outros fatores influenciaram. Ontem foi véspera do vencimento do Ibovespa Futuro, e a forte queda das Bolsas em Wall Street, que refletiram os números fracos da produção industrial americana, acabou ajudando os "vendidos" no índice - a Nasdaq recuou 1,38% e o Dow Jones, 1,14%. Apesar da queda na Bovespa, o investidor estrangeiro comprou bem, e o movimento financeiro ficou em R$ 1,207 bilhão. "O mercado, aqui, preocupado com discursos sobre impeachment, e os gringos vão injetando dinheiro no nosso mercado", ironizou um operador.

As maiores altas do Ibovespa foram de Comgás PNA (3,58%), Brasil Telecom Par ON (3,51%) e Transmissão Paulista PN (1,72%). As maiores quedas foram de Unibanco Unit (3,57%), Tractebel ON (2,86%) e Telemar ON (2,55%).

O dólar retomou a alta com o fluxo de entrada negativo e o aumento de posições defensivas em função da crise política. A dúvida sobre a decisão do Copom, hoje, a respeito do juro básico também justificou, em parte, o fraco giro financeiro à vista no câmbio. No mercado futuro, com exceção da ligeira queda de 0,25% projetada pelo contrato de janeiro de 2006, os demais cinco vencimentos negociados projetaram alta. Para 1.º de setembro é esperada uma valorização de 1,06%.

Em meio à preocupação com o eventual agravamento da crise, o fechamento em queda do petróleo futuro não ajudou a aliviar a pressão sobre a moeda americana.

No primeiro dia de reunião do Copom, o mercado de juros, já preocupado com o depoimento do doleiro, teve a volatilidade aumentada por boatos. Mas os contratos mais curtos ficaram praticamente inalterados, indicando que não será desta vez que a Selic cairá.