Título: FHC: 'Crise está saindo do controle'
Autor: Rosa Costa
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/08/2005, Nacional, p. A18

BRASÍLIA - O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), relatou ontem que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com quem conversou de manhã por telefone, manifestou extrema preocupação e disse que "a crise está saindo do controle, pois foi ao extremo". Ressaltou, porém, que Fernando Henrique foi cauteloso ao tratar da denúncia do ex-secretário de governo de Ribeirão Preto Rogério Buratti contra o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Virgílio também optou por um tom moderado. "Estou disposto a aguardar, com toda tranqüilidade, o encaminhamento desses eventos", afirmou. "Mas não vamos passar a mão na cabeça de ninguém." O líder tucano concordou que a divulgação da declaração de Buratti pode ter sido precipitada, tendo em vista a repercussão negativa já causada ao País.

Para o líder do PSDB, "o País está à beira de um ataque de nervos". Se for confirmada a denúncia contra o ministro Palocci, Arthur Virgílio prevê que o governo ficará "ferido de morte". "Triste do País em que a economia depende dos Buratti, dos Zé Dirceu, Delúbio (Soares, ex-tesoureiro do PT) e Silvinho (Pereira, ex-secretário-geral do PT) e de um monte de doleiros. O primeiro deles que abrir a boca derruba alguém."

O tucano avaliou que a defesa de Palocci deveria ter sido "mais enfática e mais rápida", até mesmo como forma de amenizar a reação do mercado. "Nesta hora de caos do governo Lula, Palocci é o único ministro importante. O resto todo é de figurantes", disse. "É ele quem comanda a economia, quem vem exercendo a função com competência, nossa preocupação não é como o mercado vai fechar hoje (sexta-feira) mas, sim, como abrirá na segunda-feira."

DELAÇÕES

Outros senadores da oposição ocuparam a tribuna para se manifestar. E apesar da ênfase das declarações, mostraram que ainda esperam do ministro da Fazenda outras explicações, capazes de mantê-lo no cargo. "Se ele não fizer isso, será difícil permanecer no comando da economia", argumentou o vice-presidente do PSDB, senador Álvaro Dias (PR). "Não podemos blindar a economia e poupar quem quer que seja em nome do futuro do País."

A senadora Heloisa Helena (PSOL-AL) acredita que novas delações virão. O motivo, segundo ela, é o estado de "abandono, descaso e desprezo a que foi relegado o todo poderoso José Dirceu", ex-ministro da Casa Civil.

"Eles devem pensar: se Dirceu, que era tão auto-suficiente e arrogante, ficou nessa situação, o que não irão fazer comigo? Portanto, é melhor contar tudo o que eu sei", previu. Expulsa do PT em dezembro de 2003, a senadora alagoana disse que ainda se assusta com o tamanho da corrupção. "Mesmo sabendo que a cada dia temos uma nova patifaria."

O presidente da CPI dos Correios, Delcídio Amaral (PT-MS), não quis comentar as denúncias contra Palocci. O senador criticou o que entende ser "uma onda da delação premiada", por temer que daí surja uma "onda de denuncismo". "É preciso equilíbrio, serenidade e bom senso no tratamento das informações", justificou o petista.