Título: CPI contesta versão de Costa Neto para R$ 6,5 mi
Autor: Diego Escosteguy
Fonte: O Estado de São Paulo, 25/08/2005, Nacional, p. A6

BRASÍLIA - A CPI dos Correios já dispõe de evidências que ajudam a desmontar a versão apresentada pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, de que o dinheiro recebido por ele do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza foi utilizado integralmente para quitar dívidas da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os técnicos da comissão reúnem indícios de que todos os recursos depositados na Guaranhuns Participações Ltda. por Marcos Valério foram repassados para Costa Neto ou a pessoas indicadas por ele, e não gastos na campanha presidencial de Lula.

A Guaranhuns é controlada por uma offshore sediada no Uruguai, que mantém conta bancária nas Ilhas Cayman. A CPI suspeita que, por meio dela, o esquema Marcos Valério fez remessas para o PT, internando recursos ilícitos em paraísos fiscais.

No depoimento de anteontem ao Conselho de Ética da Câmara, Valdemar admitiu ter recebido apenas três cheques da Guaranhuns, no valor total de R$ 1,2 milhão. Segundo os documentos bancários da empresa, que já estão na CPI, o dinheiro repassado por Valério à Guaranhuns é de pelo menos R$ 3 milhões. A diferença, segundo técnicos da comissão, também foi depositada em contas indicadas por Valdemar. Segundo os técnicos, Valério transferia os recursos para a conta da Guaranhuns no Banco Sudameris por transferências eletrônicas.

O depoimento de Costa Neto foi considerado frágil pelos parlamentares da CPI. Embora tenha reafirmado - como disse na entrevista à revista Época - que fechou um acordo de R$ 10 milhões para apoiar o PT nas eleições, o ex-deputado afirmou ter recebido apenas R$ 6,5 milhões. Garantiu também que usou o dinheiro para pagar fornecedores da campanha de Lula, mas não apresentou provas.

Há uma discrepância entre os valores que Marcos Valério afirmou ter repassado à Guaranhuns e o montante que a empresa reconhece ter recebido. Valério diz que depositou R$ 6,5 milhões na empresa, a pedido de Delúbio Soares.

O dono da Guaranhuns, José Carlos Batista, diz ter recebido só metade disso. A CPI analisa o sigilo bancário da empresa para descobrir quanto ela recebeu de Valério. Apesar das diferenças de valor, nas duas versões o dinheiro tem como destino o PL.

Batista tentou esclarecer o surgimento na CPI de mais dois cheques endereçados à Guaranhuns. Assinados por Valério, são da conta da SMPB no Banco Rural. "Nunca recebi cheque do sr. Marcos Valério", garantiu. "Vou tomar as providências judiciais cabíveis." O dono da empresa também assegurou que a Guaranhuns nunca remeteu recursos para o exterior. "Estou à disposição da Justiça para prestar todos os esclarecimentos necessários", garantiu.