Título: Aerus é contra venda da VarigLog
Autor: Alberto Komatsu
Fonte: O Estado de São Paulo, 26/08/2005, Economia & Negócios, p. B20

O fundo de pensão Aerus, ligado à Varig, manifestou-se contrário à venda de 95% da VarigLog, subsidiária de cargas da companhia aérea, para o fundo de investimentos americano Matlin Patterson. O Aerus, principal credor privado da Varig, foi o primeiro credor a se manifestar depois que o juiz Alexander dos Santos Macedo, da 8ª Vara empresarial do Rio de Janeiro, convocou credores, administrador judicial e Ministério Público a dar pareceres sobre a venda. O administrador judicial da Varig, João Vianna, também entregou sua petição ontem ao juiz. Apesar de ser favorável à venda em princípio, Vianna é contra a forma como ela vem sendo feita. "Não podemos concordar com cláusulas que dizem que parte do dinheiro, algo como US$ 10 milhões, terá de ser depositada no exterior, em uma conta a ser determinada pela Varig", diz Vianna. Outra questão apontada pelo administrador é o fato de a lei brasileira limitar o investimento estrangeiro a 20% do capital de uma empresa aérea.

O Aerus, que detém 30% da dívida que está sendo negociada no processo de recuperação judicial, alega que não tem informação suficiente sobre o caso. "Não temos condição de avaliar a venda com a informação disponível", afirma a diretora de Seguridade e Administração do Aerus, Andrea Vanzillotta. Além de credor, o Aerus tem 5% das ações da VarigLog como garantia de dívida.

Pelo despacho do juiz, os credores têm até o fim do expediente de hoje para se manifestar. Depois disso, o Ministério Público terá mais 48 horas para dar seu parecer. Segundo fontes do setor, a tendência do MP é de se manifestar contra a venda. "Criticar é fácil, difícil é encontrar uma saída melhor", contesta o advogado da Varig, Fabiano Robalinho, do escritório Sérgio Bermudes.

A manifestação de credores servirá apenas para informar o juiz, que é quem dará a palavra final. No entanto, ela servirá de indicativo do humor dos credores, que no próximo dia 12 terão de votar pela aprovação ou não do plano de recuperação que está sendo elaborado pela Varig.

Além da decisão do juiz, o plano passará pelo crivo dos acionistas da Varig - isto é, a Fundação Ruben Berta. A assembléia de acionistas será realizada no próximo dia 9. Caso se concretize, a venda representará uma injeção imediata de US$ 38 milhões no caixa da empresa. Está previsto ainda um empréstimo de US$ 50 milhões, garantido com recebíveis.

Segundo a Varig, o fundo Matlin, conhecido lá fora como um "fundo abutre" por se especializar em investimentos "podres", abriu uma empresa no Brasil chamada Volo Logistics. No entanto, no comunicado à CVM, a Varig caracteriza a empresa como uma LLC, designação americana para "limitada". "E não basta abrir uma empresa brasileira, o capital tem de ser nacional", diz Vianna.