Título: Venda de armas é a maior em 4 anos
Autor: Thom Shanker
Fonte: O Estado de São Paulo, 31/08/2005, Internacional, p. A20
O valor das vendas de armamentos militares no mundo saltou no ano passado para o maior nível desde 2000, impulsionado por acordos de armas com países em desenvolvimento, especialmente Índia, Arábia Saudita e China, segundo um estudo do Congresso americano. O total das vendas e acordos de transferência de armas tanto para nações industrializadas como em desenvolvimento chegou a quase US$ 37 bilhões em 2004, de acordo com o estudo. A quantia foi a maior desde 2000, quando as vendas globais de armas alcançaram US$ 42,1 bilhões, e ficou bem acima do total de 2003, US$ 28,5 bilhões.
Os EUA mais uma vez dominaram as vendas globais, assinando acordos num total de US$ 12,4 bilhões, 33,5% de todos os contratos do mundo. Mas foi uma queda em relação ao valor de 2003, US$ 15,1 bilhões.
A fatia de contratos de armas americanas especificamente com países em desenvolvimento foi de US$ 6,9 bilhões em 2004, 31,6% desses acordos, um leve aumento em relação aos US$ 6,5 bilhões de 2003.
A Rússia ficou em segundo lugar nas vendas globais, com US$ 6,1 bilhões em acordos, 16,5% de todos os contratos, um aumento notável em relação aos US$ 4,4 bilhões em vendas em 2003. Em 2004, a Rússia assinou acordos de transferência de armas para o mundo em desenvolvimento no valor de US$ 5,9 bilhões, 27,1% do total global, contra US$ 4,3 bilhões em 2003.
A Grã-Bretanha ficou em terceiro lugar em acordos de transferência de armas para o mundo em desenvolvimento, assinando contratos no valor de US$ 3,2 bilhões. Israel ficou em quarto lugar, com US$ 1,2 bilhão, seguido pela França, com US$ 1 bilhão.
O relatório, Transferências de Armas Convencionais para Nações em Desenvolvimento, é publicado pelo Serviço Congressional de Pesquisa, uma divisão da Biblioteca do Congresso. O estudo anual, apresentado ao Congresso segunda-feira, é considerado por especialistas acadêmicos a mais completa compilação de dados sobre as vendas de armas globais disponível ao público. As quantias são representadas em dólares de 2004, com os números dos outros anos ajustados à inflação.
As estatísticas no relatório "ilustram como os padrões globais da transferência de armas convencionais mudaram nos anos pós-guerra fria e pós-Guerra do Golfo", escreveu no prólogo Richard F. Grimmett, especialista em defesa nacional do Serviço Congressional de Pesquisa.
"As relações entre fornecedores e compradores continuam a se desenvolver em resposta a mudanças políticas, militares e econômicas", disse ele. "Contudo, o mundo em desenvolvimento continua sendo o foco principal da atividade de vendas externas dos fornecedores de armas convencionais."
O estudo concluiu que as vendas de armas a países em desenvolvimento em 2004 somaram US$ 21,8 bilhões, um aumento substancial em relação aos US$ 15,1 bilhões de 2003. Isso representa 58,9% de todos os acordos de venda de armas no mundo no ano passado.
De 2001 a 2004, a China foi a maior compradora de armas do mundo em desenvolvimento, assinando acordos num total de US$ 10,4 bilhões.
Estatísticas como essa poderiam ser usadas pelos membros do governo americano que argumentam contra qualquer decisão da União Européia de suspender seu embargo de armas contra a China.
No mesmo período de quatro anos, a Índia ficou em segundo lugar, com US$ 7,9 bilhões em compras de armas, seguida pelo Egito, com US$ 6,5 bilhões.
Mas a Índia superou a China no total de compras em 2004, fechando acordos no valor de US$ 5,7 bilhões.
A Arábia Saudita ficou em segundo lugar na assinatura de acordos de armas no ano passado, com contratos no valor de US$ 2,9 bilhões. A China ficou em terceiro, assinando contratos para a compra de armas no valor de US$ 2,2 bilhões.
"Atualmente, as nações em desenvolvimento do Oriente Médio parecem estar fazendo menos compras grandes de armas", escreveu Grimmett.
Compras relativamente maiores estão sendo feitas por países em desenvolvimento da Ásia, "liderados principalmente pela China e pela Índia", segundo o especialista.