Título: Preços dos petroquímicos devem aumentar
Autor: Agnaldo Brito
Fonte: O Estado de São Paulo, 03/09/2005, Economia & Negócios, p. B11

Os preços dos produtos das indústrias química e petroquímica, responsáveis pela produção dos insumos utilizados numa série de produtos de consumo - como automóveis, eletrodomésticos, eletroeletrônicos e utensílios domésticos -, tendem a aumentar até o final deste semestre. A avaliação consta do mais novo estudo sobre a indústria química e petroquímica elaborado pela Lafis Consultoria. A redução da margem bruta do setor e o aumento dos custos do petróleo (matéria-prima básica da cadeia) ao longo do primeiro semestre levarão o conjunto do setor a tentar manter as mesmas margens obtidas no ano passado. A alegação é de que isso assegurará as condições de investimento de parte do setor.

De acordo com Célia Regina Murad, gerente responsável pela área de análise setorial, o resultado desse aumento será a expressiva elevação das receitas brutas do setor. O faturamento do conjunto das indústrias químicas e petroquímicas deverá crescer 34% até o fim do ano. Descontada a inflação do período, o setor terá um aumento real de receita de 28%.

Pelas avaliações da Lafis, o setor usará os argumentos de perda de margem e elevação dos custos dos insumos para elevar os preços. Como os valores do barril do petróleo batem recordes de alta, os valores da nafta, insumo básico do setor obtido no processo de refino, devem crescer naturalmente.

"A elevação do custo do petróleo no mercado internacional e a queda da margem do setor sustentarão a decisão do setor químico e petroquímico de aumentar preços", avalia Célia. O preço médio da nafta, na avaliação da Lafis, chegou a US$ 436,70 por tonelada no primeiro semestre.

MARGEM EM QUEDA

Segundo demonstram os balanços do primeiro semestre, o setor teve uma queda da margem bruta, índice obtido a partir da receita líquida sobre o lucro bruto. No primeiro trimestre deste ano, a margem bruta era de 31,4%. Já no segundo trimestre, o índice havia caído para 30,32%, registra o estudo da consultoria. "A indústria aproveitará essa situação de elevação dos custos de matéria-prima para recuperar suas margens. Precisará disso para ter condições de promover novos investimentos para expandir a produção", diz a analista.

A indústria química e petroquímica opera hoje com ociosidade de 20%, mas em alguns segmentos a situação é bem diferente. A Lafis aponta problemas nas centrais petroquímicas, responsáveis por transformar a nafta em matéria-prima. A ocupação média é de 94%. No segmento de elastômeros, que produz a borracha sintética, a ocupação supera 90%.