Título: Na Justiça, Dirceu dirá que CPI ´carregou nas tintas´
Autor: Eugênia Lopes e Luciana Nunes Leal
Fonte: O Estado de São Paulo, 03/09/2005, Nacional, p. A10

José Dirceu (PT-SP) vai contestar juridicamente o relatório da CPI dos Correios e do Mensalão, que o aponta como um dos 18 deputados passíveis de ter seu mandato cassado por falta de decoro parlamentar. Apesar de sua decisão, o presidente Lula avisou que não irá mover uma palha para salvar o ex-ministro e até agradeceu, em telefonema ontem de manhã, ao presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDBAL), pela votação rápida e por unanimidade do relatório das duas CPIs. Dirceu estuda entrar com um embargo declaratório na Justiça contra o relatório. Pedirá sua revisão, uma vez que não há provas concretas contra ele.

Antes da aprovação do relatório, o petista tentou alterar o parecer dos relatores Osmar Serraglio (PMDB-PR), dos Correios, e Abi-Ackel (PP-MG), do Mensalão. Pediu ao deputado José Eduardo Cardozo (PTSP) que intercedesse junto a Serraglio, que atendeu uma das reivindicações de Dirceu: concordou em qualificar Roberto Marques como amigo do ex-ministro e não como assessor, conforme o relator tinha feito inicialmente.

O petista pretende argumentar que o relatório 'carregou nas tintas' ao basearse no depoimento de Renilda Souza, mulher de Marcos Valério, e de Emerson Palmieri, tesoureiro informal do PTB. À CPI dos Correios Renilda disse que o ex-ministro sabia dos empréstimos de seu marido ao PT. Ouvido na CPI do Mensalão, Palmieri afirmou que Dirceu era sempre consultado após as reuniões com os dirigentes do PT sobre repasse de recursos para o PTB.