Título: Genoino nega caixa 2 no PT do Maranhão
Autor: Fausto Macedo
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/09/2005, Nacional, p. A6
O ex-presidente do PT, José Genoino, negou ontem à Polícia Federal que a executiva nacional do partido tenha remetido valores não contabilizados ao diretório estadual do Maranhão, para as campanhas de 2002 e 2004. Ele foi ouvido durante cerca de uma hora pelo delegado Ademir Alves, chefe da Delegacia de Defesa Institucional da PF em São Paulo. Genoino foi intimado por carta precatória porque o inquérito sobre transferência de dinheiro do PT foi instaurado pela PF em São Luís. A investigação tem base em divergências internas na cúpula do partido no Maranhão. Um grupo teria acusado outro de não escriturar R$ 300 mil enviados pela direção nacional do PT.
Genoino explicou à PF que em 2002 não presidia o PT, nem integrava a executiva nacional. O presidente era José Dirceu, que deixou o posto em 2003 para assumir o cargo de ministro-chefe da Casa Civil. Ele também esclareceu que o presidente do partido não cuida de questões financeiras, que são atribuição do tesoureiro.
Em 2004, disse Genoino, não houve remessa para o Maranhão. Ele anotou que, devido à escassez de recursos do caixa do diretório nacional, "o PT estabeleceu prioridades de campanhas nas capitais onde o partido estava tentando conquistar a reeleição, onde o PT tivesse chance". Segundo ele, esse não foi o caso do Maranhão.
O criminalista Luís Fernando Pacheco, que acompanhou o ex-presidente do PT à PF, destacou que esse foi o primeiro depoimento que Genoino prestou, desde o início da crise do mensalão. "Foi muito importante porque serviu para o Genoino colocar suas atribuições como presidente. O estatuto do PT atribui obrigações, deveres e autonomia específicos a cada membro da executiva nacional."
Pacheco observou que o secretário de finanças e todos os outros membros da executiva nacional são eleitos com independência e atribuições definidas, sem atrelamento hierárquico ao presidente. "O presidente do partido é eleito, mas não forma uma diretoria", explicou.
Genoino ressaltou que "não tratava de questões financeiras". O advogado Fernando Pacheco anotou que isso "não significa nenhuma acusação a Delúbio (ex-tesoureiro do PT)".