Título: Índice regional confirma desaceleração industrial
Autor: Jacqueline Farid
Fonte: O Estado de São Paulo, 14/09/2005, Economia & Negócios, p. B5
Os dados regionais da produção industrial de julho confirmaram a perda de ritmo do setor já diagnosticada pelo indicador nacional, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na semana passada. Apenas 7 das 14 regiões pesquisadas apresentaram crescimento na produção ante julho de 2004, no pior resultado desde novembro de 2003. São Paulo manteve crescimento acima da média nacional, mas desacelerou a expansão. Em junho, 9 regiões tiveram crescimento ante igual mês de 2004. Para Isabela Nunes Pereira, da coordenação de Indústria do IBGE, é difícil avaliar os movimentos mais recentes no caso dos indicadores regionais, por não haver comparação com o mês anterior. Por isso, ela ressalta que a influência de um dia útil a menos em julho neste ano, com base de comparação elevada de 2004, foi muito forte nos dados regionais. No segundo semestre de 2004, a maioria das regiões acelerou muito o ritmo de crescimento e essa base vai influenciar os dados deste ano. Além da desaceleração na maioria dos locais, os resultados regionais confirmam o padrão de crescimento industrial, baseado especialmente em bens de consumo e exportações.
Estados com bom desempenho nas exportações ou fabricação de bens de consumo tiveram os melhores resultados regionais em julho, ante 2004: Amazonas, 11,7%, impulsionado especialmente por celulares; Minas Gerais, 6,0%, e Goiás, 6,7%. "Bens de consumo em geral e as vendas externas continuam puxando a indústria", disse Isabela. Para ela, os próximos meses serão fundamentais para tornar mais claros os movimentos regionais do setor, já que a falta do ajuste sazonal nos dados exige um período maior para análise dos dados como tendência.
SÃO PAULO
Os índices da produção industrial paulista, que responde por cerca de 40% da produção nacional, permaneceram positivos em julho, segundo o IBGE: 1% ante igual mês de 2004 (bem inferior aos 8% em junho), pior resultado desde outubro de 2003; 5,5% no acumulado no ano até julho, e 8,1% no acumulado nos últimos 12 meses.
O crescimento ante julho de 2004 em São Paulo refletiu a expansão de 7 dos 20 setores investigados - em junho, foram 14 os segmentos com resultados positivos. Entre os que tiveram maior peso na composição da taxa global na região em julho destacaram-se edição e impressão (25,6%), indústria farmacêutica (17,8%) e refino de petróleo e produção de álcool (7,5%). As pressões negativas mais importantes em São Paulo no mês vieram da indústria têxtil (-15,7%) e de produtos de metal (-9,8%).