Título: Cravinhos diz ter descoberto conta do casal assassinado
Autor: Angélica Santa Cruz
Fonte: O Estado de São Paulo, 11/09/2005, Metrópole, p. C8

O crime que mobilizou o País não pára de ter lances rocambolescos. O último deles partiu do escrivão aposentado Astrogildo Cravinhos - pai de Daniel e Christian. No dia 29 de julho, ele procurou o promotor responsável pelo caso, Roberto Tardelli, do 1º Tribunal do Júri, e entregou um papel com anotações que disse ser de uma conta bancária de Manfred e Marísia von Richthofen. No papel, há rabiscos com os termos 'senhas', 'internet', 'C. eletrônico' e 'caixa federal'. Ao lado de cada palavra, números intercalados com interrogações e as abreviações 'Man' e 'Ma' que, de acordo com Cravinhos, seriam as senhas para os pais de Suzane. Em depoimento informal ao Ministério Público Estadual, Cravinhos disse que a anotação estava escondida atrás de um quadro pendurado no quarto de seus filhos e foi encontrada por acaso. O aposentado afirmou que, ao descobrir o rabisco, pediu explicações a Daniel e ouviu que a combinação corresponde ao número de uma conta do casal, descoberta por Suzane pouco antes do crime. O promotor Tardelli enviou o papel para o Instituto de Criminalística e pediu um laudo para saber se ele pode ser considerado uma prova no processo. O resultado da análise não ficou pronto. 'Os técnicos já adiantaram que o número não corresponde a uma conta da Caixa Econômica Federal - e o papel não poderia estar escondido atrás de um quadro, porque não estava úmido', afirmou Tardelli.

A anotação é a segunda surpresa a aparecer depois da prisão de Suzane, Daniel e Christian. A primeira - apresentada por Tardelli logo depois que Suzane foi posta em liberdade por decisão do STJ - foi uma pistola calibre 22 e quatro caixas de munição escondidas nas costas de um urso de pelúcia pertencente a Suzane.

De acordo com Tardelli, o urso foi entregue à promotoria pelo tio da ex-estudante, Miguel Abdalla. Em junho do ano passado, ela teria aproveitado uma visita do irmão, Andreas, à prisão para pedir que ele fosse até o quarto da casa da família e pegasse o brinquedo, porque nele havia algo escondido que ela não queria que viesse à tona.

O episódio rendeu a Suzane mais uma acusação em sua folha criminal: a de porte ilegal de arma.