Título: Acordos com bancos, nova arma contra Severino
Autor: Lisandra Paraguassú
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/09/2005, Nacional, p. A5

A oposição já está farejando novo escândalo que pode sepultar de vez o destino do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE). Desta vez as suspeitas recaem sobre os contratos celebrados por Severino em 2002, quando era primeiro-secretário da Casa, com os bancos que oferecem empréstimo com desconto em folha para os servidores e pensionistas do Legislativo. Apenas cinco pequenos e pouco conhecidos bancos privados podem operar o chamado crédito consignado na Câmara - Schahin, Luso Brasileiro, BIC, Cruzeiro do Sul e BGN, este último de Pernambuco, terra de Severino. A escolha dos bancos passou pela primeira-secretaria e, de acordo com documentos obtidos pelo Estado, não se balizou em critério objetivo de custo dos empréstimos ou qualidade da instituição.

Inicialmente, oito bancos se candidataram às cinco vagas, e Severino determinou que a seleção se fizesse segundo a ordem de protocolo das propostas. Seguindo esse critério, em 10 de abril de 2002, Severino assinou autorização para credenciamento de Luso, Pine, BGN, Alfa e Cacique. Mas três deles foram substituídos por razões desconhecidas.

Em lugar do Pine, foi credenciado o BIC, em lugar do Alfa entrou o Schahin, e o Cacique operou por um ano e foi trocado pelo Cruzeiro do Sul. Nem o HSBC nem o ABN Amro Bank, grandes bancos privados que também tinham interesse no convênio, foram aceitos.

No caso do Pine e do Alfa, as diretorias desses dois bancos sequer tinham conhecimento de que haviam sido classificados. "É a primeira vez que sabemos disso. Tínhamos todo interesse em operar, mas nunca recebemos o código", assegura o vice-presidente do Pine, Luiz Cláudio de la Rosa.

Segundo a assessoria de Severino, um dos motivos para as substituições seria falta de certificado do Banco Central. Mas tanto o Alfa quanto o Pine negam.

Todos os bancos beneficiados foram procurados pelo Estado para prestar esclarecimento, mas só o BGN e o Schahin responderam. Segundo sua assessoria de imprensa, o BGN é um dos primeiros bancos do País a operar crédito consignado. O Schahin informa que apenas há quatro meses começou a oferecer empréstimos para servidores da Câmara, apesar de ter autorização de operação desde 2002 ou 2003.