Título: Palocci ameaça sair e CPI desiste de chamar seu irmão
Autor: Expedito Filho e Eugênia Lopes
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/09/2005, Nacional, p. A11

O Ministro da Fazenda, Antonio Palocci, reagiu com contrariedade à tentativa de convocação de seu irmão, o engenheiro Adhemar Palocci, diretor de Planejamento e Engenharia da Eletronorte, para depor na CPI dos Correios sobre as denúncias envolvendo a Interbrazil. O engenheiro teria exercido tráfico de influência na escolha da seguradora, beneficiada com contratos de seguro de várias empresas do setor elétrico. Sondado sobre um eventual depoimento de seu irmão, Palocci disse a dois parlamentares petistas que, se algum de seus familiares fosse convocado, ele não teria alternativa se não deixar o seu posto no Ministério da Fazenda. Palocci teria até se oferecido para depor na CPI e explicar o suposto envolvimento de algum familiar seu com a Interbrazil. "Eu posso depor e explicar tudo. Se algum familiar meu tiver que depor, eu prefiro deixar o cargo", disse ele, de acordo com os petistas. A ameaça foi comunicada à oposição, que, ainda assim, manteve o requerimento de convocação de Adhemar Palocci.

Depois de derrotada no plenário pelo placar de 14 votos a 5, os oposicionistas continuaram insistindo na convocação. O requerimento foi de autoria do deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA).

Na quarta-feira, a Eletrobrás divulgou uma nota afirmando que os contratos mencionados foram assinados dois anos antes da posse de Adhemar Palocci na diretoria da Eletronorte e, portanto, ele não tem nenhuma responsabilidade em relação a eles.

BINGOS

O requerimento de convocação, porém, será reapresentado em outra CPI - a dos Bingos. Ali, a oposição espera debulhar todo o espinheiro das denúncias sobre a Interbrazil para aferir até que ponto órgãos do governo, como a Superintendência de Seguros Privados (Susep), têm ligações com a seguradora.

A oposição avalia que, apesar da ameaça do ministro, o depoimento de Adhemar tornou-se fundamental, já que a Interbrazil teria sido, segundo informações iniciais, também a seguradora da Leão Leão, empresa de coleta de lixo que teve com a prefeitura de Ribeirão Preto uma relação comercial considerada heterodoxa pelo Ministério Público de São Paulo.

De acordo com depoimento prestado por Rogério Buratti, ex-assessor na prefeitura de Ribeirão, ao Ministério Público, a Leão Leão chegou a pagar R$ 50 mil mensais para o então prefeito Palocci, que nega as acusações.

Como a oposição não tem conseguido vitórias na CPI dos Correios, os parlamentares vão agora focar na CPI dos Bingos. Somente depois do depoimento de Adhemar Palocci, os oposicionistas pretendem sugerir que o ministro Palocci seja ouvido.