Título: CPI quebra sigilo de Dourado
Autor: Rosa Costa e Gilse Guedes
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/09/2005, Nacional, p. A11

Sem guarnição na CPI dos Bingos, o governo não teve como reagir, ontem, à iniciativa dos dirigentes da comissão de marcar para a próxima terça-feira o depoimento do doleiro Antonio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona. A falta de apoio foi ainda confirmada pela aprovação unânime do requerimento que quebra os sigilos fiscal, telefônico e bancário do ex-chefe de gabinete do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, Juscelino Dourado. Na quarta-feira, vai depor como convidado o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), acusado pelo médico João Francisco Daniel, irmão do prefeito de Santo André, Celso Daniel, assassinado em janeiro de 2002, de ter mentido à família ao assegurar que ele não tinha sido torturado. Francisco disse que Greenhalgh tinha sido indicado pelo PT para acompanhar as investigações do seqüestro e morte do prefeito. Juscelino Dourado deixou o cargo um dia depois de ter prestado depoimento à CPI. Os senadores suspeitam ser ele o principal intermediário entre o advogado Rogério Buratti, que chegou a ser preso acusado de envolvimento na chamada Máfia do Lixo, com o ministro Palocci. Dourado e Buratti se falaram várias vezes por telefone nos dias próximos à renovação do contrato da Caixa Econômica Federal (CEF) com a multinacional Gtech. O então assessor de Palocci informou que recebeu Buratti nove vezes em seu gabinete no ministério.

Toninho da Barcelona está preso desde agosto do ano passado. Sua presença na CPI incomoda o Planalto por vários motivos. Ele é conhecido como "o doleiro do PT", embora já tenha declarado que também enviou dinheiro de tucanos para fora do País. Barcelona acusou o relator da CPI do Banestado, o petista José Mentor (SP), de ter impedido seu comparecimento à comissão, deixando para lhe enviar a convocação no último momento, quando ele já deveria estar em Brasília.

Teria agido assim, segundo o doleiro, para evitar que ele denunciasse operações irregulares que teria feito para o PT desde 2002. O doleiro quer trocar suas denúncias pelo mecanismo da delação premiada para reduzir sua pena. No depoimento que deu a parlamentares da CPI dos Correios, em São Paulo, disse saber de operações financeiras suspeitas que teriam sido realizadas pelo ex-chefe da Casa Civil deputado José Dirceu (PT-SP), pelo ex-tesoureiro Delúbio Soares, o deputado José Janene (PP-PR) e o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.

Outra decisão da comissão foi a de marcar para a quarta-feira que vem a acareação entre o ex-coordenador da bancada evangélica, ex-deputado bispo Rodrigues (PL-RJ), que renunciou segunda-feira ao mandato, e o funcionário da Assembléia do Rio Jorge Luiz Dias que o acusa até de ser o mandante de um crime. Jorge prometeu contar sobre o esquema de corrupção que seria patrocinado pelo bispo e pelo ex-presidente da Loterj e ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz.