Título: Promotor pede falência do Banco Santos
Autor: Thélio de Magalhães
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/09/2005, Economia & Negócios, p. B6
O promotor de Justiça Alberto Cami¿a Moreira pediu ontem a falência do Banco Santos, atendendo a pedido do Banco Central (BC). A decisão está a cargo do juiz da 2ª Vara de Recuperações e Falências, que examina o processo. Cami¿a ingressou ainda com ação de responsabilidade civil para bloquear os bens do banqueiro Edemar Cid Ferreira e de 22 outros ex-administradores do banco. Eles desviaram R$ 2,2 bilhões por meio de manobras fraudulentas. O Santos foi liquidado extrajudicialmente em maio pelo BC, após seis meses de intervenção, quando foram encontrados indícios de fraude e crimes contra o sistema financeiro. Várias operações obscuras foram reveladas, inclusive com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, além de concessão de empréstimos a empresas em dificuldade em troca da compra de papéis e investimentos em empresas sediadas em paraísos fiscais.
Além das ações do BC, em dezembro, o Ministério Público Federal (MPF) começou a investigar as operações do banco. Em março, a Polícia Federal abriu inquérito para apurar as fraudes, pouco depois de seqüestrar os bens do banqueiro.
CRIMES
As investigações do MPF culminaram, em julho, na abertura de processo criminal contra Edemar e 18 ex-diretores do banco, incluindo seu filho, Rodrigo Rodrigues de Cid Ferreira. Eles respondem por crimes de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro por organização criminosa e gestão fraudulenta de instituição financeira. Edemar e o ex-superintendente do banco Mário Arcângelo Martinelli responderão ainda por crime de manutenção ilegal de contas no exterior. A pena mínima prevista para Edemar, se for condenado, é de 7 anos de prisão; a máxima, 25 anos.
Após uma carreira controversa nas finanças, nos últimos anos Edemar começou a colecionar obras de arte para melhorar a imagem pública. Os investimentos eram tão vultosos que ele passou a ser celebrado como um dos grandes mecenas do País.
Com a liquidação do banco, os ativos físicos estão sendo leiloados. Nos dois leilões realizados até agora foram arrecadados R$ 3,6 milhões. O último, na semana passada, atraiu mais de 3 mil pessoas - 16 aparelhos de TV de plasma e 33 palm tops com celular faziam parte dos 7 mil itens à venda.