Título: Koizumi obtém vitória esmagadora
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Fonte: O Estado de São Paulo, 12/09/2005, Internacional, p. A11

MEA CULPA: Katsuya Okada, líder do principal partido japonês de oposição, o Democrata, apresentou ontem sua renúncia, assumindo a responsabilidade pela devastadora derrota de sua agremiação nas eleições de ontem. "Está claro que não formaremos um governo com o Partido Democrata, portanto renunciarei como presidente do partido e gostaria que o próximo líder fosse escolhido rapidamente", declarou Okada, de 52 anos, um ex-assessor comercial conhecido por sua experiência política. Okada também reconheceu as falhas cometidas nesta campanha eleitoral. "Pode ser que as pessoas não tenham entendido as idéias" do programa do PD, disse Okada, cujo partido, criado em 1998, sofreu nestas eleições o maior desastre eleitoral de sua curta história. O PD prometia trazer de volta ao Japão os soldados enviados em missão humanitária ao Iraque e aproximar-se dos vizinhos asiáticos. O primeiro-ministro do Japão, Junichiro Koizumi, obteve ontem um grande triunfo político. Seu Partido Liberal Democrático (PLD) obteve ampla maioria nas eleições para a Câmara Baixa do Parlamento (Câmara de Deputados), consideradas um referendo sobre seu projeto de privatizar o sistema postal.

Segundo os números finais, divulgados pela TV NHK, o PLD obteve 296 das 480 cadeiras da Câmara Baixa, muito acima das 249 que tinha quando Koizumi convocou as eleições antecipadas no mês passado e das 241 cadeiras necessárias para uma maioria simples no Legislativo. Junto a seu aliado, o Partido Novo Komeito, que elegeu 31 deputados, a coalizão governista terá 327 cadeiras - uma maioria de dois terços que lhe permitirá derrubar votações da Câmara Alta. O opositor Partido Democrata, qur tinha 175 cadeiras, obteve apenas 113 (ver quadro abaixo).

"Eu esperava que nosso partido fosse obter a maioria, mas nos saímos ainda melhor", disse Koizumi na noite de ontem. "Agradeço à nação por seu apoio e compreensão."

Koizumi reiterou que planeja deixar o cargo em setembro de 2006, quando expira seu mandato como presidente do PLD.

De acordo com estimativas da agência de notícias Kyodo, 67,5% dos 103 milhões de eleitores foram às urnas - uma participação 7 pontos porcentuais superior às últimas eleições para a Câmara Baixa, em 2003. Números oficiais serão divulgados hoje.

Na semana passada, pesquisas indicavam que 75% dos eleitores estavam dispostos a ir às urnas. O eleitorado foi atraído pela situação que cercou a convocação das eleições e pela campanha.

Koizumi dissolveu a Câmara Baixa em 8 de agosto, depois que a Câmara Alta - que ele não pode dissolver - rejeitou seu plano de privatizar o Correio, a pedra angular de seu programa de reformas. Além de prestar o serviço de distribuição de cartas, o Correio também oferece seguros e poupança. O Correio detém US$ 3 trilhões em depósitos e, se privatizado, se tornará o maior banco do mundo.

O primeiro-ministro garante que a reforma do sistema postal representará um grande estímulo para a economia do país, que é a segunda maior do mundo, mas há anos está estagnada.

A campanha de Koizumi foi centrada em seu projeto de privatização e também no rejuvenescimento da imagem de seu partido. Koizumi retirou o apoio do PLD a 37 políticos rebeldes que votaram contra a privatização e recrutou celebridades, apelidadas de "ninjas assassinos", para concorrer contra eles. A atenção foi concentrada principalmente na batalha contra os rebeldes, deixando o opositor Partido Democrata à margem.

Apesar de a reforma postal estar no topo da agenda de Koizumi, a ampla maioria lhe dará poderes suficientes para também levar adiante outras mudanças, entre elas a revisão do sistema de aposentadoria e seus esforços para afastar o PLD da arraigada política de realizar dispendiosas obras populistas para obter votos.

"Precisamos ouvir a voz do povo sobre reformas", declarou Koizumi.