Título: Interbrazil diz que ajudou campanha de PSDB e PFL
Autor: Fausto Macedo
Fonte: O Estado de São Paulo, 22/09/2005, Nacional, p. A14

O empresário André Marques da Silva, dono da Interbrazil Seguradora, vai apresentar nos próximos dias documentos que podem comprovar que as doações de campanha feitas pela empresa beneficiaram não apenas o PT, mas também o PSDB e o PFL. A informação é do advogado Ilmar Marçal, que garantiu que doações de materiais como bandeiras, banners e santinhos são regulares. A Interbrazil é investigada por suposto favorecimento em contratos com o governo e por pagamento de caixa 2 para campanhas do PT. "Nós vamos pegar tudo que foi feito, fotolito, autorização para gráfica... Foi tudo contribuição de um empresário normal", disse Marçal ontem. Segundo ele, a lista terá nome de prefeitos , vereadores e gente "graduada" dos partidos envolvidos. "Tem pedido de gente mais graduada e vamos citar quem pediu. Tem gente do cenário nacional do PSDB." Ele, no entanto, não quis antecipar nomes.

A Interbrazil é uma seguradora com sede em São Paulo que abocanhou graúdos contratos com o governo a partir de 2002. Suspeita de fraudar documentos, ela foi liquidada em agosto pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), do Ministério da Fazenda.

A empresa ganhou notoriedade quando prestadores de serviço e um petista de Goiânia acusaram seu dono - Marques da Silva é goiano - de ser responsável pelo pagamento de despesas de campanhas do PT via caixa 2. As acusações estão sendo investigadas pela PF e pelo Ministério Público de Goiás.

MATERIAL

As doações de material para o PT teriam beneficiado a campanha a prefeito do petista Pedro Wilson em 2004 - quando ele foi derrotado. Segundo as investigações, o material era preparado por uma empresa de propaganda, a Conceito Design, que pertence a Claudio Marques da Silva. Ele é irmão do proprietário da Interbrazil.

Não há provas ainda, mas as acusações investigadas pelo Ministério Público e pela PF são de que boa parte do material de campanha do PT em Goiânia era pago pelo dono da Interbrazil e o ordenador das despesas era Adhemar Palocci, irmão do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Adhemar foi coordenador da campanha e ocupa hoje um cargo de diretor na Eletronorte. As acusações são negadas tanto por Palocci como pela Eletronorte. A convocação de Adhemar para depor na CPI dos Bingos chegou a ser cogitada, mas foi descartada.

CONTRATOS

As investigações em Goiás tentam comprovar ainda se a Interbrazil foi beneficiada por petistas para obtenção de alguns de seus contratos com o governo. Desconhecida no mercado, ela se tornou a seguradora das usinas de Angra I e Angra II e das Companhias Energéticas do Paraná e de Goiás. No total, a cobertura prevista nestes contratos chegava a R$ 4,7 bilhões.

Em reportagem exibida pelo Jornal Nacional, da Rede Globo, há uma semana, o proprietário da Interbrazil admitiu ter pago despesas da campanha petista. Em troca, teria recebido informações para fechar contratos.

Anteontem, a Polícia Federal realizou uma operação de busca e apreensão na Conceito Design para localizar documentos da Interbrazil. Foram apreendidos três computadores e diversos documentos.

A busca foi realizada por conta do processo de liquidação da Interbrazil e contou com a presença de um funcionário da Susep. Segundo o advogado dos irmãos, havia material da Interbrazil no local, pois ela prestava serviços para a seguradora.

DEFESA: A assessoria do Diretório Nacional do PSDB foi procurada, mas alegou que só poderia ter informações hoje sobre as declarações do advogado do dono da Interbrazil. O Diretório Nacional do PFL foi procurado, mas ninguém foi localizado para comentar o assunto. O PT de Goiânia negou ter recebido verbas via caixa 2. Informou que desconhece a Interbrazil e não há doações da empresa.