Título: PF identifica 7 policiais do roubo
Autor: Clarissa Thomé
Fonte: O Estado de São Paulo, 23/09/2005, Metrópole, p. C1

A Polícia Federal já identificou os responsáveis pelo furto de R$ 2,1 milhões na sede da superintendência da corporação no Rio, no fim de semana. O dinheiro havia sido apreendido pela Operação Caravelas com uma quadrilha de tráfico de drogas que pretendia enviar 1,6 tonelada de cocaína em peças de carne para Portugal. São sete agentes federais envolvidos no furto - quatro participaram diretamente da ação. Outros três atuaram no apoio. A expectativa é de que os policiais sejam presos hoje. O diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, chegou ontem ao Rio. De acordo com investigadores, os agentes federais que cometeram o furto fazem parte de um esquema de agiotagem e pretendiam revender o dinheiro roubado por um valor menor para a quadrilha de traficantes. Alguns tiveram passagens pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e, por isso, tinham conhecimento da rotina do serviço - como o fato de a chave da sala-cofre ficar guardada no armário do chefe do cartório, Fábio Marot Kair.

Os investigadores acreditam que o roubo do dinheiro possa estar ligado a outro episódio, ocorrido no ano passado - a denúncia, feita pelos donos do Clube Privê 5 Estrelas, onde o publicitário Duda Mendonça foi preso por participar de uma rinha de galos, de que um talão de cheques com todas as folhas assinadas foi levado por policiais durante a operação da PF. Não foi divulgado a quem os cheques pertenciam. A operação ocorreu em 21 de outubro.

Em dezembro, dois cheques foram descontados por agiotas que atuam na região de Jacarepaguá e Barra da Tijuca. Há uma sindicância aberta na Corregedoria da PF para investigar o caso. O delegado Antônio Carlos Rayol, que era titular da Delegacia de Meio Ambiente, garante que nada foi roubado da sua delegacia. "O clube não foi fechado. Os funcionários continuaram lá. O talão pode ter sido levado por funcionários, pelas 150 pessoas que estavam lá na hora da operação, ou até por policiais. Mas o talão não foi levado para a delegacia."

O superintendente em exercício da PF no Rio, Roberto Prel, reconheceu ontem que não foram feitas fotocópias das notas apreendidas na Operação Caravelas, como ele próprio havia dito. "Esse (a divulgação de que havia fotocópias) foi um risco que assumi. Foi uma estratégia de investigação. Quem roubou sabia que não havia as fotocópias, mas o receptor ficaria na dúvida", afirmou Prel. Ele admitiu a hipótese de as cópias não terem sido feitas para facilitar o roubo.

Em depoimento aos policiais que apuram o roubo, Marot Kair disse que o dinheiro não foi depositado no banco, como de praxe, na sexta-feira porque Prel pediu que apresentassem as notas à imprensa. "Em nenhum momento, dei ordem para que não fosse feito o depósito. A apresentação à imprensa é uma satisfação à sociedade", defendeu-se Prel. " Ele é responsável pela chave do cofre, pelas fotocópias e está criando uma linha de defesa." Desde o dia 15, 11 acusados de integrar a quadrilha foram presos no Rio.