Título: Tesouro Nacional estuda emitir papéis em ienes
Autor: SONIA RACY
Fonte: O Estado de São Paulo, 27/09/2005, Economia & Negócios, p. B2

De Washington, mais precisamente da reunião do FMI, chegou ontem aos mercados nacionais uma preciosa informação. Nos bastidores do encontro, Joaquim Levy, do Tesouro Nacional, tem dito que é intenção do Tesouro estruturar uma nova operação externa a ser concretizada em novembro, cotada em ienes. Levy acredita que este é o momento de se aproveitar a liquidez na Ásia em favor do Brasil e ao que tudo indica, na sua volta, já vai trabalhar na escolha dos emissores da operação.

A última colocação externa do Tesouro Nacional é recente e criou uma nova opção. Foi a oferta de papéis em reais, que teve uma enorme demanda. O plano inicial do governo era o de oferecer algo como R$ 1,5 bilhão ao mercado externo, com resgate em 12 anos, mas a demanda chegou a R$ 16 bilhões. O Brasil optou por aceitar R$ 3,4 bilhões. O título saiu a um custo de 12,5% ao ano para o governo e foi negociado com um pequeno deságio sobre o valor de face, a 12,75%. Ontem, no entanto, a cotação já havia aberto quase 0,5 ponto porcentual, sendo negociado a 13,2%, o que significa que, nesse primeiro momento, o investidor saiu perdendo. "Talvez o Tesouro tenha esticado demais a operação", observou ontem um operador de Mercado. Aliás, continua a dúvida sobre o fato de o Tesouro Nacional não estar se mexendo para abrir o mercado da dívida interna para investidores estrangeiros.

Para fazer essa nova colocação em ienes, o Brasil terá que contar com a continuidade do excelente cenário externo. Aliás, esse cenário é motivo de preocupação de banqueiros e investidores internacionais. Segundo estatísticas do International Institute of Finance, o ano de 2005 vai bater todos os recordes históricos em termos de fluxo de recursos para países emergentes. Até a Argentina, apesar do default, está atraindo capitais.

Além da colocação em ienes, participantes do encontro do FMI registraram alguns sinais claros dados pelos integrantes da comitiva governamental brasileira. A economia brasileira vai bem e cresce apesar da alta taxa de juros, não existe a menor chance de as diretrizes sofrerem qualquer alteração e há disposição do Tesouro aumentar o volume de suas reservas.

soracy@estado.com.br

IMPRESSÃO DIGITAL

O usineiro Maurílio Biagi informa aos que reclamam do preço do álcool hidratado: "Ele está sendo vendido nas usinas para as distribuidoras pelo mesmo preço de abril de 2001: R$ 0,71." Nesse ano, segundo Biagi, a gasolina custava para o consumidor R$ 1,60. Hoje, depois do último aumento imposto pela Petrobrás, ela é vendida por R$ 2,36. E mais: em fevereiro de 2003, o/ hidratado saía das usinas por R$ 0,83, fora os impostos.

Para Biagi Filho, essa diferença ocorreu porque o preço do álcool varia de acordo com o mercado e o dos derivados de petróleo é como tarifa pública: controlado. Mesmo assim, a gasolina subiu mais do que o álcool no período.

NA FRENTE Álcool 2

Diz Biagi também que o preço do álcool na usina ainda está abaixo do que foi acertado na reunião que produtores tiveram com o presidente Lula, logo após sua posse: o álcool deveria estar entre 70% e 80% do preço da gasolina, compatível com o valor energético do álcool em relação a ela.

E que não existe falta de álcool.

Novela

A proposta feita pela Telecom Itália pela participação dos fundos e do Citi na Brasil Telecom foi recusada ontem.

Não se sabe se haverá outra.

Quatro patas

Meia vaca por R$ 924 mil?

Pois é, foi esse o preço pago por João Carlos Di Gênio sobre os direitos de metade da vaca nelore Nuzha TE a CB, durante o 5º Leilão Mata Velha em Uberaba.

Morrendo na praia

O conservadorismo do BC em relação à política monetária fez com que o pagamento de juros nesse ano, até agosto, crescesse 1% em termos nominais em relação ao PIB.

O País pagou, no ano passado, nada menos que R$ 83,8 bilhões de juros até agosto. Ou seja, 7,37% do PIB. Esse ano, a despesa foi de 8,39% do PIB (R$ 105,7 bilhões ) .

Estranha medida

O mercado exportador está de cabelos em pé. Soube que está em estudo, na Receita Federal, a implementação de nova regra: nas operações de draw-back passarão ser exigidas certidões negativas de INSS, FGTS, tributos e contribuições federais entre outras. Isso claramente criará um transtorno no setor de manufaturados.

Vale lembrar que draw-back não é benefício fiscal.

Absurdo

Até mesmo nas escolas privadas, a qualidade de ensino está caindo. Prova disso é a intensa briga pelas vagas no Colégio Santa Cruz, Gracinha e Porto Seguro em São Paulo. No Santa Cruz, por exemplo, existem 204 inscritos para apenas 40 vagas no primeiro ano primário de 2006.

E essa tensão está se intensificando pela ação da Justiça que quer impedir esses colégios de fazerem a triagem por meio democrático do "vestibulinho". Será que alguém, com mais de dois neurônios, acha que o processo de sorteio ou de ordem de inscrição é mais justo?