Título: Em Manaus, edifícios tremem
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Fonte: O Estado de São Paulo, 27/09/2005, Internacional, p. A12

Abalo secundário do terremoto causa pânico entre moradores

Cerca de 15 segundos de um tremor de terra criaram pânico em moradores de prédios mais altos da capital amazonense na noite de domingo. O tremor foi provocado por um terremoto de 7,5 graus na escala Richter que atingiu o norte do Peru, a mais de mil quilômetros de Manaus. O corpo de bombeiros atendeu a cerca de 20 chamados nos bairros como Japiim, Aleixo e Ponta Negra. Os moradores do edifício Portal da Cidade, com 20 andares, no bairro Aleixo, um dos pontos mais altos de Manaus, desceram todos na noite de domingo para a avenida que passa em frente ao prédio. Além do corpo de Bombeiros, guardas de trânsito também foram chamados para fechar o tráfego em frente ao prédio.

"Meu lustre balançou e a água do aquário no quarto de meu filho", afirmou a dona de casa Martha Borges, que estava no quarto do filho quando percebeu o tremor e desceu com os filhos de pijamas para a rua.

Moradores de edifícios de classe média alta da Ponta Negra, como Beethoven e Aruba, também desceram pelas escadas quando sentiram a vibração em seus apartamentos, segundo os Bombeiros.

No Amazonas há apenas um sismógrafo, de propriedade da empresa Manaus Energia. O sismógrafo fica em Balbina, a cerca de 105 quilômetros da capital, e controla a estabilidade dos arredores da Hidrelétrica de Balbina. As informações do sismógrafo foram enviadas pela Manaus Energia à Universidade de Brasília (UnB), mas até o fim da tarde de ontem não havia sido divulgado o resultado da análise.

Segundo o superintendente do Serviço Geológico Nacional, Daniel Nava, o abalo sísmico sentido em Manaus foi um "eco" do Peru e é comum. "A proximidade com os Andes faz de Manaus e algumas cidades do Acre uma espécie de caminho da vibração", disse. O fato de apenas moradores de prédios mais altos terem sentido as ondas do terremoto é porque as extremidades costumam ser mais sensíveis à vibração.