Título: 'Não há cadáver', diz Mabel em sua defesa
Autor: Vannildo Mendes
Fonte: O Estado de São Paulo, 30/09/2005, Nacional, p. A11

Acusado pela deputada Raquel Teixeira (PSDB-GO) de ter oferecido R$ 1 milhão para levá-la ao PL, o deputado e líder da bancada Sandro Mabel (PL-GO), em depoimento ao Conselho de Ética da Câmara, usou a falta de provas como principal argumento em sua defesa. "Não tem defunto", sustentou, comparando-se a uma pessoa acusada de assassinato quando não há corpo para comprovar existência de crime. O deputado disse que a acusação de Raquel é "mentirosa", termo que corrigiu mais tarde para "não-verdadeira". Pressionado pelo deputado Jairo Carneiro (PFL-BA) a qualificar a denúncia da deputada, Mabel acrescentou que a acusação é "leviana e irresponsável".

Segundo Mabel, a deputada pediu para ser convidada pelo PL porque estava insatisfeita em seu partido. Para Mabel, Raquel relatou ao governador de Goiás, o também tucano Marconi Perillo, "para mostrar a ele que estava valendo muito", pois estaria "sem espaço no PSDB".

O próprio presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PTB-SP), já reconheceu a inexistência de provas contra Mabel. Ontem, o relator do processo, Benedito de Lira (PP-AL), considerou que até o momento "o que existe é a palavra de um contra o outro". Carneiro vai apresentar requerimento, a ser votado pelo conselho, pedindo a acareação entre a deputada e o líder do PL.

O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) sustentou que o testemunho é uma prova contundente. Aproveitando a comparação de Mabel com um homicídio sem cadáver, disse que "a prova nem sempre é um flagrante".