Título: Varig deu passagens para juizes
Autor: Mariana Barbosa e Isabel Sobral
Fonte: O Estado de São Paulo, 29/09/2005, Economia & Negócios, p. B14

A Varig concedeu passagens de cortesia para os quatro juízes do Tribunal de Justiça do Rio que foram ontem a Brasília conversar sobre a reestruturação da empresa com os ministros Antonio Palocci, da Fazenda, e Nelson Jobim, do Supremo Tribunal Federal. É o que mostra comprovante de reserva dos bilhetes em nome de Márcia Cunha, Luiz Roberto Ayoub, Alexander Macedo e o presidente do TJ, Sérgio Cavalieri Filho. No início deste mês, a juíza Márcia já havia admitido que viajara para Nova York de Varig, na classe executiva. A viagem foi feita para sensibilizar a justiça americana, que julgava pedido de arresto de 11 aviões arrendados pela Varig com a empresa de leasing (espécie de aluguel) ILFC.

"Eles (juízes) estão julgando o processo de recuperação da Varig. Na atual conjuntura, não acho normal isso, do ponto de vista político. Se eu fosse juiz, não aceitaria", afirma uma pessoa que participa do processo de recuperação judicial da Varig e que preferiu não ter o nome divulgado. A empresa e o TJ do Rio foram procurados para se pronunciar a respeito, mas até o fechamento desta edição não retornaram as ligações telefônicas.

VARIGLOG

A Justiça do Rio quer a realização de uma auditoria para apurar a real necessidade e utilidade da negociação da VarigLog como parte do plano de reestruturação da Varig. A decisão foi tomada anteontem pelos juízes Márcia Cunha e Luiz Roberto Ayoub, que integram o comitê de magistrados responsáveis pelo acompanhamento da recuperação judicial da empresa, processo que tramita na 8ª Vara Empresarial do Rio. A Deloitte Touche Tohmatsu será intimada para a realização do trabalho e informa que ainda não foi notificada.

A determinação da auditoria acontece cinco dias após o vencimento de uma carta de intenções do fundo americano Matlin Patterson, que demonstrava interesse em desembolsar até US$ 103 milhões para comprar 95% das ações da empresa. Segundo fontes do setor, o fundo não tem mais interesse no negócio. A Varig informa que quem tem de se pronunciar é o Matlin.

A Fundação Ruben Berta, controladora da Varig, estaria buscando alternativas à negociação da VarigLog. De acordo com fonte próxima às conversações, um banco americano teria demonstrado interesse em desembolsar US$ 150 milhões para comprar a subsidiária. Os US$ 60 milhões de passivo seriam assumidos pela instituição, que pede 6 semanas para avaliar o negócio.

A auditoria determinada pela Justiça segue um pedido da própria Varig, informa um comunicado do TJ do Rio. Para a companhia, a negociação de sua subsidiária de logística e carga é a solução, no curto prazo, de seus problemas de fluxo de caixa, agravado com a entrada no processo de recuperação judicial, que teve impacto negativo de US$ 90 milhões, conforme o Estado publicou ontem.