Título: Delcídio avisa Lula que CPI dos Correios pode invadir 2006
Autor: Eugênia Lopes
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/10/2005, Nacional, p. A10

O presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), avisou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que os trabalhos da comissão terão de ser prorrogados, provavelmente até março de 2006. Há duas semanas, a CPI não consegue quórum para votar requerimentos de convocação e da quebra de sigilo bancário de corretoras de seguro que teriam causado prejuízo a fundos de pensão em operações com títulos públicos. ¿A CPI tem de dar resultado mesmo¿, disse Lula, segundo relato do senador, que esteve anteontem no Palácio do Planalto.

O término da CPI está previsto para 11 de dezembro, quando deveria ser apresentado o relatório final. ¿O trabalho que temos é hercúleo e o mais provável é que só termine lá para março do ano que vem¿, afirmou.

Antes de apresentar as conclusões, os sub-relatores vão apresentar estudos parciais sobre os fundos de pensão, a movimentação financeira das contas do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza e os contratos firmados pelos Correios e pelo Instituto de Resseguros do Brasil (IRB).

O presidente da CPI reuniu-se ontem com representantes de três empresas de auditoria que vão ajudar os trabalhos da comissão. Segundo Delcídio, deverão ser contratadas duas auditorias, encarregadas de investigar dados sobre as transações feitas por dez fundos de pensão com os bancos Rural e BMG, contratos dos Correios com prestadoras de serviço e a movimentação de Marcos Valério, que tem 18 empresas e 75 contas.

Na próxima terça-feira, Delcídio pretende fazer uma reunião de emergência para votar os requerimentos que, nas últimas duas semanas, deixaram de ser analisados.

¿Duvido que, a partir de agora, com o estardalhaço feito pela imprensa, volte a faltar quórum¿, afirmou o senador. Delcídio pretende convocar para depor, na quarta-feira, o doleiro Dario Messer, acusado de ser ¿o doleiro oficial do PT¿ por Antonio de Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona.

REAÇÃO

O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), reagiu à declaração de Delcídio, dizendo que é ¿prematuro¿ falar em prorrogação, quando faltam dois meses para o término da CPI.

Para Chinaglia, o ideal era os integrantes da comissão de inquérito fazerem um balanço dos trabalhos e definirem metas objetivas, já que os trabalhos ¿não avançam¿. ¿Alguns parlamentares estão priorizando o show¿, criticou o líder petista.