Título: Amorim: diálogo com China continua
Autor: Renata Veríssimo
Fonte: O Estado de São Paulo, 07/10/2005, Economia & Negócios, p. B7

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse ontem que o Brasil vai continuar a negociar as restrições voluntárias às exportações da China, mesmo com a regulamentação das salvaguardas, publicada hoje no Diário Oficial da União. Amorim não acredita que os chineses retaliarão o Brasil por causa da adoção do mecanismo protecionista. "Não pode haver esse tipo de reação, porque o mecanismo é assegurado pela OMC. Se houver retaliação, será o mesmo que voltarmos à lei da selva", afirmou o ministro.

Vale lembrar, no entanto, que representantes do governo chinês no Brasil já disseram várias vezes que a China reagirá às salvaguardas. Mas o governo brasileiro argumenta que Estados Unidos, União Européia e Argentina adotaram salvaguardas contra a China e nem por isso foram punidos por Pequim. Esses países continuam a negociar restrições voluntárias contra os chineses.

A posição do Itamaraty tem sido a de que seria melhor para o País que não fosse necessário adotar o mecanismo protecionista contra a China. Questionado sobre a posição do ministério, Amorim disse que "o Itamaraty é a favor da aplicação das regras e das negociações, quando estas são possíveis". O ministro acredita que a China se manterá aliada do Brasil, participando do G-20 que negocia a Rodada Doha da OMC. "Não é apenas interesse do Brasil que a China fique no grupo. É interesse dos próprios chineses, pois temos objetivos comuns."

Sobre o acordo bilateral no qual o País reconhece a China como economia de mercado, Amorim afirmou que a regulamentação dependerá do andamento das medidas do memorando de entendimento, que nada têm a ver com as salvaguardas. "O Brasil não vai voltar atrás no reconhecimento da China como economia de mercado, mas o grau e a rapidez da regulamentação do acordo vão depender do todo do acordo, que tem 12 parágrafos e inclui várias medidas, inclusive fitossanitárias."

A liderança das negociações para a adoção de restrições voluntárias está a cargo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Mas as discussões em Pequim na semana passada fracassaram. Na segunda-feira, Furlan já havia afirmado que o diálogo seria mantido, mesmo com as salvaguardas, porque a arquitetura do acordo já está formada.