Título: Correios terão prejuízo de R$ 10 milhões em 2005
Autor: Eugênia Lopes
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/10/2005, Nacional, p. A7
BRASÍLIA - Em depoimento ontem à sub-relatoria de contratos da CPI dos Correios, o diretor regional da estatal em São Paulo, Marco Antônio Vieira da Silva, admitiu que a empresa terá um prejuízo de R$ 10 milhões este ano com o pagamento de comissão a nove agências franqueadas que passaram a ter entre seus principais clientes quatro grandes bancos. Marco Antônio explicou que permitiu a migração dos contratos dos bancos, que antes enviavam sua correspondência em agências próprias dos Correios, para as franqueadas por "questões éticas". Segundo o diretor da empresa, os quatro bancos - Itaú, Unibanco, ABN Amro Real e Santander - eram clientes de agências franqueadas dos Correios até julho de 2001. Como os contratos de franquia iam vencer, em 2002, os Correios determinaram que os bancos passassem a ser clientes de agências próprias da estatal. "Eram quatro clientes da rede franqueada que nós tínhamos tirado. Simplesmente devolvemos os clientes para as franqueada. Foi uma questão ética", argumentou Marco Antônio, que contou que foi indicado para o cargo pelo hoje prefeito de Osasco, Emídio de Souza, do PT. "Claro que estou perdendo dinheiro. Deixamos de ganhar R$ 10 milhões", disse o diretor dos Correios.
Para o sub-relator de contratos da CPI, deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), o depoimento do diretor dos Correios deixou claro que a permissão para a migração dos bancos para a rede franqueada trouxe prejuízo para a estatal. "Ele (Marco Antônio) autorizou a migração para a rede privada de clientes estratégicos com base em um cálculo prejudicial para os Correios", disse Cardozo.
Hoje, o presidente da seguradora InterBrasil, André Marques da Silva, presta depoimento à CPI dos Correios. A suspeita é que a seguradora tenha ajudado no financiamento do PT em troca de informações para fechar contratos com estatais. A bancada governista na CPI, em que se inclui Cardoso e a senadora Ideli Salvatti, é acusada de tentar segurar o ritmo das investigações. A denúncia envolve Adhemar Palocci, irmão do ministro Antônio Palocci (Fazenda), com financiamentos de campanhas em Goiás, que teriam sido feitos com recursos de caixa 2.