Título: Se a eleição presidencial fosse hoje, Kirchner venceria
Autor: Ariel Palacios
Fonte: O Estado de São Paulo, 04/10/2005, Internacional, p. A14
Pesquisa indica que o presidente argentino ganharia já no primeiro turno de Elisa Carrió, líder de centro-esquerda
Se houvesse hoje uma eleição presidencial na Argentina, Néstor Kirchner seria reeleito. Pesquisa da consultoria Ricardo Rouvier e Associados dá a Kirchner, do Partido Justicialista (peronista), 43,2% dos votos - um bom desempenho nas urnas, apesar da queda de sua popularidade nos últimos meses. Kirchner seria favorecido, entre outros motivos, pela desarticulação dos partidos de oposição. A segunda colocada seria a líder centro-esquerdista Elisa Carrió, do partido Afirmação por uma República Igualitária (ARI), com 14,5%. Kirchner asseguraria sua vitória: a Constituição argentina estipula que, para ganhar no primeiro turno, é preciso ter pelo menos 40% dos votos e uma vantagem de 10% sobre o segundo colocado.
A pesquisa põe em terceiro lugar o empresário Mauricio Macri, do partido de centro-direita Compromisso pela Mudança, com 10%. O ex-ministro da Economia, Ricardo López Murphy, líder do partido Recriar, ficaria com 6,2%. O ex-presidente Carlos Menem (1989-99), peronista como Kirchner, teria apenas 4% dos votos.
A reeleição de Kirchner foi proposta publicamente pela primeira vez na semana passada pelo governador de Córdoba, José Manuel de la Sota. Mas, para poder pensar na reeleição, Kirchner precisa antes obter uma vitória contundente nas eleições parlamentares do dia 23. Essas eleições são decisivas, pois definirão o mapa do poder político na Argentina pelos próximos dois anos. Kirchner disse em várias ocasiões que essas eleições serão um plebiscito sobre sua gestão.
Segundo Ricardo Rouvier, diretor da consultoria, as eleições de outubro serão um "ensaio geral" para a presidencial de 2007. Rouvier diz que não se deve descartar a possível candidatura à presidência da senadora Cristina Fernández de Kirchner, mulher do presidente.
Cristina, a primeira universitária argentina que chega ao posto de primeira-dama, tem uma carreira política sólida. Desde que seu marido chegou à presidência, começou a ter o próprio séquito de seguidores e parlamentares, conhecidos como cristinos.
No âmbito político portenho comenta-se que o casal presidencial tem o plano dos "três Ks": Kirchner de 2003 a 2007; Cristina Kirchner de 2007 a 2011; e mais uma vez, Kirchner, de 2011 a 2015. No peronismo é costumeira a prática de lançar a mulher como sucessora, para que após ela, o marido possa se candidatar novamente. O casal Nina e Carlos Juárez governou durante 50 anos, quase em interrupção, a Província de Santiago del Estero.
PRIMEIRO TESTE
Ontem o governo Kirchner comemorou o resultado das eleições na Província de Corrientes, que domingo escolheu como governador, com 60% dos votos, Carlos Colombi, aliado do presidente. Analistas avaliam que a vitória em Corrientes dá a Kirchner um trunfo publicitário para a grande prova que Kirchner enfrentará em menos de três semanas, quando todo o país renovará metade da Câmara de Deputados e um terço do Senado.