Título: Confirmados 3 novos focos de aftosa
Autor: Fabíola Salvador
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/10/2005, Economia & Negócios, p. B1

O Ministério da Agricultura confirmou na noite de ontem mais três focos de aftosa em Mato Grosso do Sul. Um deles foi encontrado em Eldorado, mesmo município onde surgiu o primeiro foco, mas em outra fazenda, a Jangada, que tem 3.548 animais. Os outros dois focos surgiram nas fazendas Santo Antônio e Guaíra, no município de Japorã. Como são propriedades pequenas, o ministério desconhece o tamanho do rebanho. Pela manhã, em seu programa de rádio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que mostraria aos russos, hoje, que o Brasil tem só um foco, já debelado.

Na fazenda Jangada, apenas nove animais apresentaram sintomas da doença. No entanto, informou o ministério, 320 cabeças já foram abatidas. O secretário de Defesa Agropecuária do ministério, Gabriel Alves Maciel, explicou que o governo determinou o abate antes da conclusão dos exames clínicos porque as fazendas Jangada e Vezozzo - onde foi achado o foco na semana passada - são vizinhas. "Como os sintomas clínicos eram muito parecidos e as fazendas são vizinhas, achamos melhor iniciar os abates para impedir a propagação do foco", afirmou o secretário.

O município de Japorã fica a apenas quatro quilômetros da fronteira com o Paraguai, o que, segundo o secretário, reforça a tese de necessidade de controle da doença nos países que fazem fronteira com o Brasil. Uma das suspeitas é que animais doentes tenham vindo do Paraguai. Não há fiscalização na fronteira entre os dois países e os animais circulam livremente.

Uma fonte do governo contou que o Paraguai não permitiu a entrada de veterinários brasileiros em seu território para inspecionar a sanidade do rebanho. O pedido para ingresso foi feito na semana passada, depois de confirmado o primeiro foco.

Como o município de Japorã fica a quatro quilômetros do Paraguai, o raio de isolamento do rebanho vai avançar sobre o território paraguaio.

Ou seja, Brasil e Paraguai terão de adotar medidas sanitárias conjuntas para conter a doença. O Centro Panamericano de Febre Aftosa (Panaftosa) deverá intermediar as ações nos dois países.

Em Mato Grosso do Sul, a região isolada será ampliada também para os municípios de Sete Quedas e Tacuru, que ficam a 25 quilômetros do local do foco de Japorã. Depois da descoberto do primeiro foco, em Eldorado, ficaram interditados os municípios de Japorã, Itaquaraí, Mundo Novo e Iguatemi, além de Eldorado. "Se afeta a economia nacional do Paraguai, o problema passa a ser também deles", ressaltou o secretário.

Maciel disse que, desde o dia 1º de outubro, quando surgiu a suspeita do foco na Fazenda Vezozzo, técnicos do ministério e do governo estadual vistoriaram 172 propriedades da região sul de Mato Grosso do Sul. Todo o esforço do governo na região é no sentido de evitar a propagação do vírus.

Há outras três suspeitas de focos na região. Ele considerou normal o aparecimento desses novos focos dentro da área isolada. "Se saíssem dos municípios da zona tampão, a doença estaria fora de controle. Foi bom ter encontrado esses focos na região", comentou.

Segundo o secretário, a confirmação dos novos focos não terá impacto maior no comércio exterior. "No caso da Rússia, fomos claros sobre o foco de Eldorado e informamos a eles que havia outras suspeitas", disse. O governo de Moscou aceitou flexibilizar as regras sanitárias, disse o secretário.

Atualmente, o embargo russo está sendo aplicado somente sobre a carne oriunda de Mato Grosso do Sul. Mas um acordo entre o Brasil e a Rússia prevê a suspensão do comércio de carnes também dos Estados vizinhos daqueles em que surgiu o foco.

"Os russos precisam da nossa carne", comentou o secretário. "Além disso, a disseminação da gripe aviária em vários países vai limitar a oferta mundial."