Título: Mulher de Valério pediu ajuda a ex-tesoureiro do PT
Autor: Expedito Filho
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/10/2005, Nacional, p. A11
Conhecedora do caminho das pedras, a dona de casa Renilda Santiago, mulher do empresário Marcos Valério de Souza, procurou Delúbio Soares, ex-tesoureiro nacional do PT, para pedir que ele atue junto ao governo petista para liberar os R$ 4 milhões que estão bloqueados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Renilda está vivendo momento financeiro complicado. Seu marido deu a própria casa como garantia de pagamento ao escritório do advogado Marcelo Leonardo, o que teria levado a dona de casa ao gesto desesperado de pedir a suposta interferência de Delúbio para resolver o problema. Delúbio negou que tenha sido procurado por Renilda no último domingo. "Ela pode até ter ido a São Paulo, mas não me procurou. Isso é conversa", disse.
Entrevistado pelo Estado, o empresário Marcos Valério disse que realmente deu garantias a seus advogados, mas se recusou a detalhá-las. "Eu realmente dei garantias, mas não vou dizer quais", afirmou. Quanto aos movimentos de Renilda, Valério afirmou: "Minha mulher é inteligente e não se sujeitaria a isso", disse. Em conversas informais, ele diz que "Delúbio não tem o poder de uma pulga".
Mas amigos do casal têm dito que, desde que estourou o escândalo do mensalão, Renilda e Valério passaram a viver dificuldades conjugais. Com a queda de padrão da família, Renilda passou a jogar a responsabilidade no marido. Vivem sob o mesmo o teto, mas em quartos separados e pouco se falam. Quando soube que Valério colocara a casa como garantia, ela decidiu procurar o tesoureiro.
Se antes eram amigos, agora, Delúbio e Valério não se falam mais. O empresário nem sequer pronuncia o nome do ex-tesoureiro, a quem costuma chamar de "essa pessoa", ou "essa figura". Delúbio diz que não tem falado com o empresário, mas sempre que se refere a Valério o faz respeitosamente.
Valério não afasta a possibilidade de o STF suspender o bloqueio de suas contas. Dá a entender que seus advogados estariam tentando a liberação sem necessidade de lobby de quem quer que seja. "Estou que nem o ex-presidente Figueiredo: eu quero é que me esqueçam", pediu Valério, lembrando frase do último general da ditadura militar, João Baptista Figueiredo, que, ao deixar o governo, pediu ao povo que o esquecesse.