Título: Brasil pressiona riscos por limites
Autor: Jamil Chade
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/10/2005, Economia & Negócios, p. B8

O ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, contestou ontem a previsão de alguns setores da iniciativa privada segundo a qual pode haver falta de energia no País a partir de 2009. Ele deu a entender que esse tipo de projeção existe porque há "um grupo" que quer que o preço da energia no leilão de novos empreendimentos, programado para dezembro, seja o maior possível. Apesar de evitar falar diretamente em especulação, Rondeau afirmou que "existe um viés na visão de alguns investidores, que querem garantir, e isso é normal, a melhor rentabilidade dos investimentos." "E nós, o governo, queremos o preço mais barato possível (para a energia no leilão)", disse o ministro, após participar de solenidade, na Câmara dos Deputados, em comemoração dos 52 anos da Petrobras. Em seminário realizado na segunda-feira na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), representantes do setor elétrico alertaram para o risco de haver uma nova crise de abastecimento daqui a quatro anos, por julgarem que não existem novos projetos de geração de energia em quantidade suficiente para atender ao crescimento da demanda.

Ao rejeitar a previsão de que possa faltar energia em 2009, Rondeau declarou: "Nós não podemos decretar, com quatro anos de antecedência, que teremos períodos hidrológicos comprometedores que vão levar ao pior cenário possível." Ele se referia ao longo período de seca que fez baixar os reservatórios e provocou o "apagão" de 2001.

ANEEL.

Rondeau também disse que pretende enviar ainda nesta semana, para a Casa Civil, os nomes para preenchimento de duas vagas na diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). As indicações serão posteriormente encaminhadas ao Senado, onde passarão por sabatina antes da nomeação pelo presidente da República.

Uma fonte do setor confidenciou que um dos nomes a serem indicados para a Aneel é o do atual superintendente de Estudos Econômicos do Mercado da Agência, Edvaldo Alves Santana. Sem a aprovação dos novos nomes, a Aneel corre o risco de parar em dezembro por falta de quórum.

Hoje, há apenas três diretores, que é o mínimo exigido. Em 27 de dezembro, expira o mandado de um deles, Jaconias Aguiar. Além disso, em 10 de janeiro encerra-se o mandato de outro diretor, Isaac Averbuch.