Título: Em SC, enmergência sanitária
Autor: José Maria Tomazela
Fonte: O Estado de São Paulo, 25/10/2005, Economia & Negócios, p. B4

O governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), decretou ontem estado de emergência sanitária contra a febre aftosa, para "permitir que as ações de fiscalização sejam mais rápidas e eficazes". Ele também anunciou que vai pedir ao ministro da Defesa, José Alencar, a ajuda do Exército para garantir a segurança nas barreiras sanitárias ao longo da divisa com o Paraná. "Temos de ter controle absoluto da fronteira seca entre Porto União e Dionísio Cerqueira", disse ele. À tarde, Luiz Henrique reuniu-se com o governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (PMDB), com os secretários de Agricultura dos três Estados do Sul e técnicos para discutir as medidas de segurança para impedir que a febre aftosa entre em Santa Catarina e passe para o território gaúcho.

Santa Catarina é área livre de aftosa sem vacinação e o governador quer que continue assim, apesar da pressão que afirma estar havendo por parte dos outros Estados. "A carne catarinense vale mais sem vacinação.

Esse foi o principal argumento que fez os russos manter as compras apenas de carne catarinense depois de divulgados o surto de aftosa no Mato Grosso do Sul", disse Luiz Henrique. De acordo com a Companhia de Desenvolvimento Agropecuário de Santa Catarina (Cidasc), seriam necessários dois anos para vacinar os 3,5 milhões de bovinos de Santa Catarina, o que não evitaria um eventual surto da doença, já que o rebanho não tem qualquer imunidade, e jogaria fora 30 anos de trabalho.

O secretário de Agricultura de Santa Catarina, Moacir Sopelsa, informou que os técnicos vão começar, a partir de hoje, a analisar quais os produtos que poderão ter a entrada permitida no Estado. "No primeiro momento havia a necessidade de total proibição. Agora, cada caso será analisado. O frango de exportação, por exemplo, deverá ser liberado para embarque no Estado caso tenha origem comprovada em áreas livres da doença e que não ofereça risco", disse Sopelsa, que na tarde de hoje tem um encontro com os segmentos ligados ao agronegócio para discutir as medidas adotadas até agora e o que mais pode ser feito para evitar o contágio.

No esforço de construir uma sólida blindagem contra a doença, todos os eventos agropecuários que seriam realizados até o final do ano em Santa Catarina foram proibidos. Apenas a Expolages, que será realizada nesta semana, vai ocorrer, mas sem a exposição de animais. Na divisa com o Paraná, os caminhões que entram estão sendo pulverizados com iodo, que elimina o vírus, segundo a Cidasc.

Fronteira Sanitária Fechada Salvador 24 de outubro de 2005 - Álvaro Figueiredo - A Bahia decidiu fechar as fronteiras do estado aos animais vivos, provenientes do chamado Circuito Pecuário Sul, que inclui os estados do Mato Groso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O receio é que a entrada de animais infectados, vindos de um possível foco de aftosa nestes estados, ponha fim ao período de oito anos livre da doença. Desde maio de 1997 o estado é considerado internacionalmente Zona Livre de Aftosa com vacinação, pela OIE - Organização Internacional de Epzootias, que a partir deste ano passou a ser chamada no Organização Mundial de Sanidade Animal.

Portaria de número 272, assinada pelo diretor geral da Agência de Defesa Saniária da Bahia - Adab, Luciano Figueiredo, a ser publicada no diário oficial do estado hoje(dia 25-terça feira), revoga e amplia as restrições da Portaria 264, assinada no último dia 14, e que restringia a entrada de animais e produtos do Mato Grosso do Sul(MS).

De acordo com o pecuarista Gilberto Bastos, presidente o Fundo de Apoio à Pecuária, o momento exige uma reação radical contra a entrada de animais vivos. "Devemos a todo custo evitar que o plantel baiano corra risco. Neste sentido merece apoio de todos os pecuaristas a medida tomada pelo governo estadual, para evitar um trabalho que custou recursos e esforço de todos", defende. A portaria da Adab exclui da restrição as carnes bovinas desossadas e maturadas, obtidas de bovinos abatidos em matadouros sob inspeção federal e produtos lácteos industrializados, igualmente oriundos destes estabelecimentos. Estão proibidos de entrar no estado principalmente animais vivos, suínos, caprinos e demais espécies também suscetíveis de contrair aftosa. Os postos de fronteira prevêem a desinfecção de quaisquer veículos.