Título: Teles fixas buscam outras receitas
Autor: Graziella Valenti, Gerusa Marques e Renato Cruz
Fonte: O Estado de São Paulo, 26/10/2005, Economia & Negócios, p. B14
Não é à toa que as operadoras de telefonia fixa não param de falar em conteúdo. As receitas provenientes de seu negócio principal são declinantes e elas precisam de novas fontes de receita para continuar crescendo. "Estamos mais amarrados do que poderíamos estar", disse o diretor-geral da Telefônica São Paulo, Manoel Amorim, referindo-se à regulamentação. "Temos dinheiro para investir e não podemos. Uma curva declinante de receita espanta o capital e pode gerar uma espiral perigosa para o País." Ele participou do evento Futurecom, em Florianópolis. Amorim citou como exemplo a IPTV, tecnologia que permite a um aparelho comum de televisão receber o sinal via linha telefônica, usando um decodificador. As operadoras hoje só podem oferecer vídeo sob demanda, mas não canais como os da TV paga. As empresas de TV paga, por outro lado, podem comprar uma licença de telefonia fixa na Agência Nacional de Telecomunicações por alguns milhares de reais e sair operando. "É óbvio que queremos simetria regulatória", disse o executivo. "A regulamentação tem que evoluir na mesma velocidade da tecnologia."
Na segunda-feira, a Telebrasil divulgou um estudo mostrando que, nos países desenvolvidos, a receita anual da telefonia fixa apresentou uma queda média de 1,7%, entre 2001 e 2004. No mesmo período, a banda larga cresceu 39% ao ano e a voz sobre protocolo de internet (IP, na sigla em inglês), 371%. No Brasil, a tendência é a mesma, e já começa a ser sentida mais nas classes baixas. De 2002 a 2004, a adoção da telefonia fixa pela classe C baixou de 77% para 72% e, nas classes D e E, de 46% para 38%. "Em 2003, tínhamos 70% do tráfego de voz em São Paulo", disse Amorim. "Hoje, temos 65%."
Parte do tráfego migrou para a telefonia móvel. Outra parte começa a migrar para os serviços de voz sobre IP. "A voz sobre IP com tarifa plana é uma realidade", afirmou o presidente da Brasil Telecom, Ricardo Knoepfelmacher. "No Brasil, ainda estamos um pouco atrasados, por culpa nossa." A Brasil Telecom anunciou que lançará em dezembro seu serviço de telefonia IP, chamado VoIP Fone. "A oferta será feita de forma gradual, segmentada", disse Ricardo K., como é conhecido. A Telefônica planeja fazer o mesmo no primeiro trimestre de 2006 e, no segundo trimestre, lançar a IPTV.
As operadoras fixas querem se defender de serviços como o americano Skype, que permitem falar de graça de computador para computador e fazer ligações internacionais pagando a partir de 0,02 por minuto.
EXPANSÃO
O presidente da TIM, Mario Cesar Pereira de Araujo, previu ontem que até o fim do ano o Brasil chegará a 86 milhões de telefones celulares. Segundo balanço de setembro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o País já tem cerca de 80 milhões de telefones móveis. A previsão do executivo é de que, somente neste Natal, sejam vendidos 3,5 milhões de celulares. No mesmo período do ano passado, foram comercializados 4,5 milhões de aparelhos.
Para o presidente da Vivo, Roberto Lima, as vendas de Natal serão boas. "As pessoas pagaram dívidas e terão o 13º salário, não tem por quê ser ruim", afirmou o executivo. Ele preferiu não fazer projeções, e foi cético quanto à redução da agressividade das promoções de fim de ano.