Título: Governo não relaxará rigor fiscal, diz Palocci
Autor: Gustavo Freire e Renata Veríssimo
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/11/2005, Economai & Negócios, p. B3

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, afirmou ontem que o governo não vai relaxar o rigor fiscal ou o combate à inflação. Respondendo a perguntas sobre pressões dentro do próprio governo para reduzir o superávit primário, Palocci disse: "O esforço da política monetária e econômica para controlar a inflação deu resultado. Agora é a hora de consolidar essas conquistas, e não questioná-las, senão, você joga tudo fora." A Casa Civil e outros setores do governo vêm questionando fortemente a proposta do Ministério do Planejamento de aumento do superávit primário. Segundo fontes do governo, a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, teria até perguntado qual seria o problema de o Brasil conviver com uma inflação de 15%.

"Não se trata de um embate ou uma coisa negativa", disse Palocci, referindo-se às divergências internas. Segundo ele, a pergunta que o governo tem de responder é: "O Brasil quer ser equilibrado no próximo ano ou nos próximos dez anos?"

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foi ainda mais enfático em seu recado para a ministra Dilma.

"Muitas pessoas têm a impressão de que inflação baixa e rigor fiscal só têm custos, o que não é verdade, pois essas coisas dão poder de compra ao trabalhador." disse. "Por isso, é importante a responsabilidade e a consciência de quem está no governo, e também do setor privado, sobre a importância da estabilidade,do rigor fiscal e da inflação convergindo para as metas."