Título: Cheque especial é o mais caro em dois anos
Autor: Gustavo Freire
Fonte: O Estado de São Paulo, 28/10/2005, Economia & Negócios, p. B6
Os juros cobrados pelos bancos nos empréstimos aos consumidores subiram 0,5 ponto porcentual em setembro, de 64,4% para 64,9% ao ano. "A elevação veio puxada pelas operações do cheque especial", disse o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central (BC), Altamir Lopes. A taxa do cheque especial, disse, chegou a 148,8% ao ano, a maior desde setembro de 2003. O custo mais alto do cheque especial, de acordo com Altamir, pode ser reflexo da elevação das vendas do comércio no mês de agosto. "As pessoas compraram presentes para o dia dos pais em agosto e recorrido ao cheque especial na primeira metade de setembro para honrar seus compromissos."
Este movimento, segundo Altamir, pode ter sido revertido já em setembro e, nesse caso, a tendência dos juros cobrados pelos bancos seria de queda. "O problema é que o nosso número representa uma média da taxa de juros do mês. Com isso, temos dificuldade de refletir esta possível oscilação."
Outra explicação para o alto custo dos empréstimos, diz Altamir, é que os bancos decidiram não repassar aos clientes o corte da Selic, de 0,5 ponto porcentual. A redução da taxa básica de juros deixou o dinheiro mais barato para os bancos e, sem o repasse aos clientes, "houve aumento da margem de lucro dos bancos".
Altamir acredita, porém, que a taxa de juros ao consumidor deverá começar a refletir a queda da Selic já a partir deste mês. "A tendência para os juros é declinante." Ele lembrou ainda que o Copom só cortou os juros no final de setembro. "Talvez não tenha dado tempo para uma adaptação aos juros mais baixos", comentou o chefe do Depec.
Apesar de caras, as operações de crédito continuaram crescendo. Elas chegaram a 17,1% do Produto Interno Bruto (PIB), um recorde na série iniciada em 1996. Pelos dados do Depec, o crédito livre em relação ao PIB foi de 16,9% em agosto. "O porcentual de agosto já era recorde", ressaltou Altamir.
CONSIGNADO
Os empréstimos consignados em folha de pagamento concedidos a funcionários públicos e aposentados do INSS, que vinham crescendo a um ritmo de 5% ao mês, desaceleraram em outubro.
Por outro lado, o Depec identificou uma forte expansão dos empréstimos com desconto em folha aos trabalhadores da iniciativa privada.
Apesar da queda entre os aposentados e os servidores públicos, o chefe do Depec acredita que ainda há espaço para o aumento do volume destas operações.
"O número de contratos com aposentados do INSS é de apenas 7 milhões ante um potencial de 23 milhões", disse. "Como a base destas operações ainda é pequena, a tendência é que elas cresçam mais rápido a partir de agora."
No mês passado, estes empréstimos tiveram um aumento de 4,7% e saltaram dos R$ 2,741 bilhões de agosto para R$ 2,871 bilhões. O estoque dos empréstimos desta modalidade tomados por servidores público e aposentados estava em R$ 18,393 bilhões no final do mês passado.