Título: Apelo de Lula a líderes europeus foi em vão
Autor: Jamil Chade
Fonte: O Estado de São Paulo, 29/10/2005, Economia & Negócios, p. B18

O presidente Lula fez, domingo, um apelo a cinco líderes europeus para que pressionassem a Comissão da União Européia a apresentar uma proposta para as negociações agrícolas da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) que resultasse em abertura efetiva de mercado aos países em desenvolvimento. O apelo não foi atendido. Nas cartas, Lula deixou claro que será necessário um movimento mais consistente da Europa nessa área e criticou a forma como Bruxelas manobra as economias mais pobres nessas negociações. No seu apelo, o presidente reafirmou que o conteúdo da oferta européia sobre a redução de tarifas e de barreiras não-tarifárias no comércio agrícola deverá balizar as propostas que o Brasil e seus sócios do G-20 virão a fazer nos outros campos da negociação. Sem citar, referiu-se à abertura para produtos industriais e serviços - duas áreas de especial interesse de Bruxelas. Criado por influência do Brasil, o G-20 é uma frente de 20 economias em desenvolvimento que exige maior abertura e eliminação de subsídios na área agrícola.

"O Brasil e o G-20 estão dispostos, conforme demonstrado em nossas propostas, a fazer a sua parte se houver equilíbrio e proporcionalidade também dos principais parceiros", afirmou Lula.

A correspondência foi encaminhada aos presidente da França, Jacques Chirac, e da Itália, Carlo Azeglio Ciampi, ao chefe de governo da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, e ao primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates. O presidente da Comissão Européia, o português José Manuel Durão Barroso, também recebeu a carta, apesar de ter diretamente tratado do assunto com Lula no último dia 15, em Salamanca (Espanha).

Desse grupo, Chirac é o que mais tem resistido à apresentação de uma proposta agrícola mais ambiciosa por parte da União Européia.