Título: EUA querem voltar ação do BID para o setor privado
Autor: Paulo Sotero
Fonte: O Estado de São Paulo, 07/11/2005, Nacional, p. A6
Mudança defendida ontem por Bush não agrada ao Brasil e a outros acionistas importantes do organismo
O presidente George W. Bush introduziu ontem um novo tema potencialmente complicado no diálogo com o Brasil e nas relações hemisféricas no discurso que fez no Hotel Blue Tree ao propor importante mudança na estratégia de ação do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Ele disse que o BID deve voltar-se mais para o financiamento do setor privado e estudar, entre outras opções, a concessão de doações de fundos e perdão da dívida dos países mais pobres do continente, como fez recentemente o Banco Mundial. O Brasil e outros acionistas importantes do BID, como Argentina, México e Venezuela, fazem reservas à idéia, pois traz ônus para todos os acionistas e, dependendo de como for implementada, poderia levar a um aumento do custo dos créditos tradicionais do banco.
Bush disse que os EUA estão trabalhando para "melhorar o BID" e que, à medida que as economias das Américas se desenvolvem, "o banco precisa mudar com elas". Referindo-se ao novo presidente da instituição, o colombiano Luis Alberto Moreno, eleito em julho com o apoio de Washington numa disputa com o brasileiro João Sayad, o líder americano afirmou que "o começo da gestão de Moreno nos dá uma grande oportunidade para modernizar o banco fazendo melhor proveito dos mercados globais de capitais e moldando seus programas às reais necessidade das economias deste continente".
"O setor privado é o motor do crescimento e da criação de empregos nesta região", disse Bush. "O banco precisa reforçar significativamente seu papel nos investimentos no setor privado, especialmente em pequenas empresas, que são a espinha dorsal de uma economia saudável e em crescimento."
Bush disse que instruiu o secretário do Tesouro, John Snow, a trabalhar com seus colegas no hemisfério e no BID "para implementar reformas que assegurem que o banco melhor atenda às necessidades de crescimento econômico e criação de empregos". "Eles discutirão um leque de opções", disse o presidente dos EUA.