Título: Investimento pode chegar a 26% do PIB
Autor: Nilson Brandão Junior
Fonte: O Estado de São Paulo, 11/10/2005, Economia & Negócios, p. B10

Trabalho do Ipea e da Corretora Convenção prevê essa taxa até 2010 no País

RIO - A taxa de investimentos do País ¿ que ficou nos últimos anos na faixa entre 18% e 19% ¿ poderá chegar em 2010 a 25% ou 26% do Produto Interno Bruto (PIB), mostra trabalho de economistas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Corretora Convenção. A taxa, abaixo das registradas em países asiáticos que superam os 30%, é bem maior do que as que o País registrava no passado e asseguraria crescimento da economia na faixa dos 4,5% ao ano, diz o trabalho. ¿Temos de aumentar a taxa de investimentos¿, disse Fernando Monteiro, da Convenção, um dos autores do estudo, ao lado de Fábio Giambiagi, do Ipea. Segundo o estudo, tal crescimento não estaria muito abaixo de outras economias emergentes, no longo prazo: ¿Uma faixa de crescimento na faixa citada, para um país de renda média como o Brasil, não poderia, portanto, ser considerada como sendo muito baixa.¿

O trabalho conclui que a elevada taxa de poupança no País favorece o avanço da taxa de investimento e sugere medidas que incluem o aumento da poupança pública, redução das despesas com previdência social, controle de programas assistenciais ¿em benefício da capacidade de gasto do governo em investimento¿ e ações de estímulo ao ingresso de Investimentos Diretos Estrangeiros (IDE).

Em paralelo, o estudo afirma que o País deveria sair da condição de superavitário na conta corrente para ¿levemente deficitária¿. ¿O País pode trabalhar com um déficit de 1% do PIB, no lugar deste superávit (o atual)¿, explica. Dessa forma, o País passaria a usar poupança externa, além da doméstica. Com o déficit, o País passaria a importador líquido de capitais. O trabalho lembra que o País fez forte ajuste externo e fiscal desde o início da década e passou de um déficit na conta corrente de 5% do PIB para um superávit nesta conta, com forte desempenho no comércio exterior. Em paralelo, a taxa de poupança do País cresceu e chegou a 23% do PIB.