Título: Gripe aviária mata mais um; surgem novos focos
Autor: Elder Ogliari
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/11/2005, Vida&, p. A24

A última vítima da gripe aviária é uma mulher de 20 anos que vivia na Indonésia. A causa da morte, ocorrida no fim de semana, foi confirmada ontem pelo governo indonésio. Apesar da confirmação, a Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda não incluiu essa morte nas estatísticas oficiais. Prefere aguardar o laudo de um de seus laboratórios afiliados. É o mesmo caso de uma jovem de 16 anos que morreu também na Indonésia na semana passada.

Se esses dois casos forem confirmados pela OMS, subirá para 66 o número de pessoas que morreram desde 2003. Todas viviam em quatro países do sudeste da Ásia - Vietnã, Tailândia, Camboja e Indonésia -, onde as pessoas costumam ter contato direto com aves.

A doença é causada pelo vírus H5N1 da gripe aviária. Ele é transmitido de ave para ave e de ave para humano. Cientistas, porém, temem que o vírus sofra mutações que o tornem capaz de ser transmitido de humano para humano. Poderia haver uma pandemia mundial.

No mês passado, focos da gripe aviária apareceram pela primeira vez na Europa e começaram a se espalhar pelo continente. Já foram identificados casos em países como Romênia, Turquia, Croácia e Itália. A doença está se propagando por meio de aves migratórias.

Na Tailândia, o governo informou que um bebê foi infectado, mas já está se recuperando.

A China identificou mais um foco em pássaros de uma granja no centro do país. É o nono caso em um mês. Cerca de 800 aves morreram por causa da doença. Parte dos milhares de pássaros da região, num raio de três quilômetros, foi sacrificada. Outra parte foi vacinada.

Funcionários da OMS foram enviados à China para investigar se foi a gripe aviária que matou uma menina de 12 anos e deixou doentes outras duas pessoas na região central do país.

Mais casos também foram descobertos na Romênia, o primeiro país da Europa a ter a doença. Quatro galinhas foram encontradas mortas numa cidade do delta do Rio Danúbio. Os testes deram positivo para o vírus H5, mas ainda não houve confirmação se se trata do H5N1.

Em Taiwan, cientistas encontraram outra cepa altamente patogênica da gripe aviária. É o H7N3, que estava em excrementos de aves migratórias. Como o H5N1, o H7N3 é capaz de infectar os humanos. Essa cepa havia sido encontrada no país em abril, na região de Taipei.

No Vietnã, há a suspeita de mais dois casos: um estudante que teve sintomas após comer ovos de galinha e uma mulher de 78 anos que morreu de pneumonia. Cientistas do país, depois de várias análises, concluíram que o vírus está sofrendo mutações e se tornando cada vez mais resistente e contagioso.

Cientistas chineses anunciaram ontem que desenvolveram uma possível vacina para humanos contra a gripe aviária. Os testes clínicos começarão a ser feitos nos próximos dias. "Os testes de laboratório provaram que a vacina é segura e eficaz em ratos", disse Ying Weidong, chefe da equipe investigadora.

NO BRASIL

No Brasil, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) vai coletar amostras de sangue das aves migratórias que voam para a Lagoa do Peixe, litoral do Rio Grande do Sul. O trabalho tem o apoio de técnicos dos Ministérios da Saúde e da Agricultura. Além da Lagoa do Peixe, o Ibama coleta material em áreas do Amazonas, do Amapá, do Maranhão e de Mato Grosso que recebem visitas periódicas de aves migratórias.

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), que é ligada à OMS, lançou um site em português sobre a gripe aviária. O endereço é www.opas.org.br/influenza.