Título: Rio critica licitação de navios para Petrobrás
Autor: Felipe Werneck
Fonte: O Estado de São Paulo, 11/10/2005, Nacional, p. A12
Rosinha se opõe às regras para encomenda de 26 petroleiros ao custo de R$ 1,6 bi
RIO - Orçada em US$ 1,3 bilhão, a encomenda inicial de 26 petroleiros, de um total de 42, lançada ontem pela Petrobrás coloca mais uma vez estatal e governo do Rio em lados opostos. A organização do evento não permitiu que o secretário estadual de Energia, Indústria Naval e Petróleo, Wagner Victer, discursasse. Victer representava a governadora Rosinha Matheus e fez críticas à licitação depois do evento. Segundo ele, as regras da concorrência reduzem a competição, ao deixar de fora grandes estaleiros, como o Renave, no Rio, e o Itajaí, em Santa Catarina. Há dois anos, em seu primeiro embate com a estatal, o governo Rosinha impediu a construção de oleoduto ligando a Bacia de Campos a São Paulo.
Victer reclamou da determinação de que os estaleiros, e não a Petrobrás, sejam responsáveis por obter financiamento para as obras. "Foi isso que acabou com o Navega Brasil", afirmou, referindo-se ao programa de revitalização da indústria naval lançado em 2002 pelo governo FHC, que naufragou por falta de capacidade financeira do Estaleiro Ilha S.A., vencedor de licitação para a construção de quatro petroleiros.
A licitação atual é diferente do programa tucano, disse o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, porque pretende criar uma demanda constante para os estaleiros, ao licitar de uma vez 26 navios. Com as encomendas em carteira, ele espera que as empresas invistam em modernização das instalações. Os concorrentes terão 45 dias a partir de ontem para elaborar suas propostas.
Sete consórcios receberam o convite para participar da concorrência. Três deles - Rio Naval, Brasfels e Mauá - ficam no Estado do Rio. Os outros quatro estão no Rio Grande do Sul (dois deles), Bahia e Pernambuco. Estes são chamados "estaleiros virtuais": ainda não existem, mas serão construídos a partir das encomendas.