Título: Palocci vai se explicar ao Senado para evitar CPI
Autor: Cida Fontes
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/11/2005, Nacional, p. A7

Diante da ameaça de renúncia se tivesse de depor à comissão, governo consegue uma tribuna natural para o ministro

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, confirmou presença dia 22 na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, para falar de economia e esclarecer denúncias de corrupção envolvendo seu nome e de ex-auxiliares na prefeitura de Ribeirão Preto. O ministro alertou que, se for convocado pela CPI dos Bingos - controlada pela oposição - vai deixar o cargo.

A ameaça surtiu efeito e setores do governo se mobilizaram para levá-lo à CAE. Seu argumento é que falar a uma comissão permanente do Senado tem menos impacto que ser convocado e inquirido por uma CPI. "Ele precisa vir ao Congresso o mais rápido possível, pois não pode haver dúvidas sobre o ministro da Fazenda", disse o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), que abriu a possibilidade de Palocci falar à CAE ou ao plenário, se preferir.

A disposição de Palocci de se explicar na CAE foi aplaudida por todos os senadores. A única preocupação, revelada pelo ministro em conversas, é que surjam novas denúncias depois do feriado, complicando sua situação. "Acho muito tarde o dia 22", desabafou um aliado dele.

Apesar das denúncias contra pessoas de seu círculo, Palocci não faz pressão nem pede ajuda direta a políticos aliados. Ele apenas perguntou ao senador Tião Viana (PT-AC), com quem tem bom relacionamento, sobre o o melhor momento para prestar esclarecimentos.

"Ele vai falar abertamente na CAE", assegurou Viana, para quem o êxito da política econômica consolida a credibilidade do ministro. Para ele, Palocci não pode ser acusado por episódios do passado. É provável que antes da reunião da CAE os governistas conversem com ele para preparar o depoimento.

Outros aliados, até de PFL e PSDB, perceberam nos últimos contatos que Palocci está preocupado e angustiado. Mas não sabem identificar a razão de tanta preocupação. Desde que se tornou alvo de denúncias, ele tem adotado um comportamento menos intransigente nas negociações e ficou mais recluso.

OPOSIÇÃO

Apesar disso, ontem mesmo senadores da oposição já avisaram que a fala do ministro à CAE pode adiar, mas não deve evitar sua convocação pela CPI dos Bingos. Segundo o relator da comissão, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), o futuro de Palocci na CPI depende do que disserem seus ex-assessores.

Vladimir Poletto e Rogério Buratti, serão ouvidos hoje sobre a denúncia de que a campanha de Lula recebeu dinheiro de Cuba. A CPI deve convocar ainda seu assessor particular Adermison Ariosvaldo da Silva, que trocou mais de 1.400 ligações com Poletto entre 23 de junho de 2003 e 30 de agosto de 2005, e o superintendente do Serpro, Donizete Rosa, sucessor de Buratti como secretário de Governo da prefeitura de Ribeirão.