Título: TAP terá dois sócios na Varig
Autor: Alberto Komatsu, Nilson Brandão Júnior
Fonte: O Estado de São Paulo, 08/11/2005, Economia & Negócios, p. B14

DAC já deu sinal verde à entrada da empresa portuguesa no capital da VarigLog e da VEM

A companhia aérea portuguesa TAP se associará a duas empresas brasileiras para comprar a VarigLog e a VEM, subsidiárias da Varig, sem esbarrar na legislação, que limita a 20% a participação de estrangeiros em empresas de aviação nacionais. A informação é do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guido Mantega, que disse ter sido informado de que o Departamento de Aviação Civil (DAC) avalizou a operação. Ele reiterou que o banco não participará como cotista, apenas como financiador de parte do investimento. Mas, apesar do interesse da TAP, a solução da crise da Varig está tropeçando na exigüidade do prazo. Às vésperas da audiência na Justiça americana, amanhã, na qual será examinada a viabilidade da operação, a assembléia de credores que votaria pela fase inicial de reestruturação da companhia se prolongou até o início da noite de ontem sem definição.

Seria colocado em votação um plano para pagar dívidas com empresas de arrendamento de aviões. Mas a reunião foi interrompida a pedido do BNDES, cerca de cinco horas depois de ter sido iniciada, porque os credores estavam ameaçando adiar mais uma vez a decisão, para ter mais informações. A direção do banco convocou uma comissão de representantes dos credores para uma reunião que, até o fechamento desta edição, não havia terminado.

O encontro contou com a participação do próprio Mantega que, antes, informou que a Varig e a TAP optaram por criar, diretamente, uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), em lugar de criar um fundo que investiria na SPE, já com os acionistas que irão controlá-la. Durante a assembléia, o presidente-executivo da Varig, Omar Carneiro da Cunha, apresentou vários pontos do plano. As modificações não foram bem-recebidas pelos credores. O Fundo de Investimentos e Participações que seria criado para atrair recursos não será mais necessário. Com isso, os trabalhadores da Varig e sindicalistas do setor aéreo apresentaram proposta pelo adiamento da votação do plano.

Antes da votação pelos credores, Cunha fez um apelo. "Pensem bem no que vocês estão votando. Nós vamos perder na quarta-feira 40 aviões. A companhia vai ficar inviável por causa do capricho de alguns", disse o executivo, referindo-se à audiência na corte de Nova York, amanhã, que vai decidir o futuro de uma liminar que impede o arresto de aviões até o dia 11. Segundo Cunha, tanto BNDES quanto TAP desistiriam da Varig caso a assembléia fosse adiada.

A empresa que a TAP constitui no Brasil é batizada de Aero-LB (de Luso-Brasileira) Investimentos, integrada por ela própria, pelo fundo de investimentos GeoCapital, de Macau, e por um investidor brasileiro cujo nome não foi divulgado. Essa subsidiária é que faria o investimento de US$ 20 milhões para comprar participação na VarigLog e VEM.

O BNDES entraria com os US$ 42 milhões restantes. "A garantidora final dessa operação é a TAP", diz Fernando Pinto, ex-presidente da Varig. A GeoCapital pertence ao investidor Stanley Ho que, segundo a edição internacional da revista Forbes, tem a 151.ª maior fortuna do mundo, de US$ 3,6 bilhões e, dos 17 cassinos de Macau, ele é dono de 15. Tem ainda cassino em Lisboa. Ho tem 83 anos, é casado e tem 17 filhos.