Título: Sombra agiu como cúmplice, diz testemunha do caso S. André
Autor: Ricardo Brandt
Fonte: O Estado de São Paulo, 08/11/2005, Nacional, p. A10

Mulher que teria visto captura de Daniel fala à CPI dos Bingos e reforça tese do MP

A CPI dos Bingos ouviu ontem o depoimento de uma testemunha que reforça a tese do Ministério Público Estadual de que o assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel, em 2002, contou com a participação do ex-segurança e empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, que estava com ele no carro no dia do seqüestro. A testemunha, cuja identidade foi mantida sob sigilo, afirma que presenciou o momento em que os criminosos abordaram o carro onde estava o prefeito. Tanto para a CPI como para o MPE, o ponto mais importante das declarações foi quando a mulher afirmou ter visto Sombra, do lado de fora do carro, falando ao telefone celular, ainda enquanto os seqüestradores rendiam o prefeito. Segundo ela, o modo de agir do ex-segurança não era de uma vítima, mas sim de um cúmplice.

Segundo o senador Eduardo Suplicy (PT), que ouviu o depoimento acompanhado pelos promotores Amaro José Thomé Filho e Adriana Ribeiro Soares de Morais, a testemunha relatou ter visto o prefeito sentado no banco ao lado do motorista como se estivesse desacordado.

Outro dado importante foi a confirmação, pela testemunha, de que três carros teriam participado do seqüestro. Sua versão reforça as afirmações feitas por outra testemunha, que na sexta-feira foi ouvida pela CPI na casa de Suplicy. Segundo ela, havia três carros no local.

As versões são importantes porque confrontam aquela apresentada por Sombra à Justiça, em que ele afirmou que foram dois veículos que teriam participado da abordagem e que o próprio Celso Daniel teria destravado a porta, mas que ele tentou impedi-lo.

Para o MPE, Sombra deixou de citar o terceiro carro, pois nele estaria Dionísio Severo, apontado como elo entre o empresário e os assassinos. Severo acabou morto na prisão.

As testemunhas já tinham sido ouvidas no inquérito que apura o caso. Segundo o promotor Thomé Filho, eles mantiveram toda versão contada anteriormente. "Os depoimentos mostram claramente que o Sérgio estava interagindo com o grupo."

Na sexta, a CPI ouviu ainda uma empregada do prefeito, que voltou a declarar ter encontrado, no apartamento dele, três sacolas com dinheiro, o que reforçaria a tese de que havia um esquema de arrecadação de verbas para campanhas do PT.