Título: Procurador-geral promete resultado surpreendente do MP sobre mensalão
Autor: Eugênia Lopes
Fonte: O Estado de São Paulo, 08/11/2005, Nacional, p. A9

O procurador-geral da República, Antônio Fernando Barros de Souza, disse ontem que o resultado da investigação do Ministério Público Federal sobre o esquema do mensalão será surpreendente. Ao ser indagado sobre o relatório parcial da CPI dos Correios, previsto para ser divulgado quinta-feira e encaminhado ao MPF, ele destacou que a Procuradoria tomará providências com base em apuração própria. "Em relação ao mensalão, o MP está fazendo uma investigação própria. A nossa investigação tem um enfoque mais abrangente, mais amplo e está em curso", justificou. "A CPI certamente adotará as providências da alçada dela. E entre elas pode ser essa de encaminhar ao Ministério Público", destacou Antônio Fernando, que participou em Belo Horizonte de uma reunião do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais dos Estados e da União.

Segundo ele, "uma das grandes virtudes" da investigação do MPF é o sigilo. O procurador-geral disse que a imprensa tem apontado caminhos, mas será surpreendida com o resultado das apurações. "Vão se surpreender porque o Ministério Público, o procurador-geral em especial, fez tudo certo na hora certa", disse. "Não se deixou de fazer nada que tem de ser feito. Não houve interferência do Executivo, nem de ninguém."

INDEPENDÊNCIA

Antônio Fernando evitou comentar o andamento das CPIs no Congresso e se elas estão sofrendo muitas interferências políticas. "Eu não posso avaliar o Congresso. Estou falando em relação a mim. Ninguém me pediu nada e nem dou margem para que peçam", assegurou.

O procurador-geral salientou que ainda há muito a ser apurado. "São perícias demoradas", destacou Antônio Fernando, negando que haja interesse em "esconder as coisas."

O procurador-geral afirmou que o Ministério Público está aproveitando o trabalho de todas as investigações em curso - além das CPIs, citou a Receita Federal, o Banco Central e Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). "Agora, sem abrir mão de termos a nossa própria investigação, conduzida no Supremo Tribunal Federal (STF)", insistiu.

Para Antônio Fernando, o escândalo político gerou um dado positivo. "Aquela discussão que se travou e se trava no Supremo, teórica, sobre o poder investigatório do Ministério Público caiu por terra, ruiu, na medida em que se vê que vários organismos investigam", frisou. "Cada um dentro da suas especialidades."