Título: Smar é suspeita de usar empresas no exterior para evasão de divisas
Autor: Gustavo Porto
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/11/2005, Economia & Negócios, p. B8

Operação da Receita e da Polícia Federal, ontem, apreendeu 15 caixas de documentos

RIBEIRÃO PRETO - A Receita Federal suspeita que a Smar Equipamentos Industriais Ltda, uma das maiores empresas de automação do País, criou pelo menos 12 empresas de fachada no exterior para manter dinheiro obtido com exportações. Os crimes de evasão de divisas e sonegação fiscal começaram a ser apurados ontem, na maior operação já feita pela Receita na região de Ribeirão Preto (SP), segundo o delegado Glauco Peter Guimarães. Na operação, 51 policiais federais e 60 auditores da Receita apreenderam 15 caixas de documentos em 28 unidades da empresa e nas casas de seus dirigentes, em Sertãozinho, Ribeirão Preto e São Paulo.

"A suspeita é que o grupo tenha criado outras empresas nos países onde há vendas e as utilizaria para ficar com o dinheiro", explicou Guimarães. "O câmbio não é fechado e o dinheiro não retorna ao Brasil como deveria." Ele não informou o valor que estaria sendo investigado, mas um levantamento preliminar apontou que, só em parte deste ano, foram movimentados US$ 4,5 milhões em exportações.

Segundo Guimarães, a operação conjunta com a polícia se justifica pelo fato de a Smar se ter negado a fornecer à Receita os documentos pedidos em fiscalizações regulares. Ele informou ainda que a Smar também deve R$ 350 milhões ao INSS e às Fazendas Federal e Estadual, além de não ter cumprido acordos de negociação de dívidas propostos no ano passado.

Há mais de 20 anos, a Smar tem problemas fiscais e tributários. Em 1986, toda a sua diretoria foi presa sob acusação de sonegação fiscal. Entre dezembro de 2003 e junho de 2004, a Justiça Federal expediu mandados de prisão preventiva contra os sócios Carlos Alberto Liboni, Paulo Saturnino Lorenzato, Edson Benelli, Edmundo Rocha Gorini, Mauro Spanchiado e Gilmar de Matos Caldeira. Liboni é ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Gorini, Benelli e Liboni chegaram a ser presos, mas por pouco tempo. Todos os sócios tiveram a prisão relaxada e aguardam em liberdade o julgamento pelos processos antigos. "A empresa mostra que continua atuando há muito tempo da mesma forma e aposta na demora da apuração e da fiscalização, além de medidas judiciais, para continuar agindo assim", disse o delegado Auris César da Silva Brizola, da Polícia Federal em Ribeirão Preto.

Para a advogada Regina Célia Pagi, a Smar sofre perseguição da Receita e a operação de ontem foi exagerada e desnecessária. "Nós estamos em contato constante com a Receita e sempre prestamos os esclarecimentos", disse ela. A advogada negou o crime de evasão de divisas e informou que as empresas da Smar no exterior fazem parte "de relacionamentos comerciais com clientes, dentro de um processo de globalização comercial". A direção da Smar divulgou nota na qual considera a ação "típica dos regimes de exceção".