Título: Para Krueger, resultado foi 'decepcionante'
Autor: Irany Tereza
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/12/2005, Economia & Negócios, p. B4
A vice-diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Anne Krueger, disse ontem que a queda de 1,2% do PIB brasileiro no 3º trimestre foi "decepcionante". Mas ressalvou que o resultado não pode ser considerado tão negativo ao se olhar os componentes do PIB. O que houve, disse, foi redução de estoques das empresas, o que é natural nesse período do ano. "Os estoques estavam altos e precisavam cair." Em rápida visita ao País para se informar sobre os dados mais recentes da economia, iniciada quarta-feira, Krueger esteve ontem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, e com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Depois, no Rio, participou do seminário "Fortalecendo o sistema financeiro global", organizado pela PUC-Rio e pelo National Bureau of Economic Research.
Para Krueger, a economia brasileira precisa de várias reformas, especialmente em relação ao endividamento público. Na avaliação do FMI, a relação dívida pública/PIB dos países emergentes deve se situar na faixa de 25% a 30% do PIB, o que é metade da registrada pelo País.
Apesar disso, a dirigente do FMI avalia que o progresso da economia brasileira nos últimos anos "foi muito impressionante": cresceu muito em 2004 e a expansão deve continuar em 2006 e 2007 se mantida a atual linha de política econômica. Ao comentar o PIB do 3º trimestre, disse que flutuações no ritmo de crescimento são normais.
Krueger destacou que os dados preliminares de novembro já são mais favoráveis e , talvez, o resultado do 3º trimestre tenha sido reflexo da crise política. Ela endossou a política de superávits primários nas contas públicas adotada pela área econômica do governo e criticada pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, lembrando que alguns países industrializados que trabalharam com superávits primários altos crescem em uma velocidade mais rápida, citando Austrália, Canadá e Reino Unido.