Título: Auditoria pediu ajustes na Prece
Autor: Expedito Filho e Luciana Nunes Leal
Fonte: O Estado de São Paulo, 07/12/2005, Nacional, p. A4
Relatórios atuariais da Prece Previdência Complementar sobre 2001, 2002, 2003 e 2004 detalham o crescimento do déficit do fundo dos empregados da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), que registra grandes prejuízos, segundo a CPI dos Correios. Em todos, a Atuas Atuários Associados recomenda aumento da contribuição sobre salários para zerar a diferença e em pelo menos três diz que o rombo se deve à baixa rentabilidade das aplicações. Os relatórios põem em dúvida nota publicada ontem no Estado pela Prece, afirmando que o déficit não tem relação com os prejuízos e em 2003 e 2004 as metas de rentabilidade foram superadas. "O plano encontrava-se deficitário por ocasião da reavaliação atuarial, em decorrência, principalmente, da rentabilidade alcançada na aplicação de recursos ter sido aquém do esperado", avalia parecer de 2004 sobre o Plano Prece I no Relatório 2003. "O déficit pode ser eliminado pela recuperação das perdas realizadas na aplicação dos recursos ou majoração da receita de contribuição em 16,34% da folha de salários."
Segundo o relatório, o Prece II estava equilibrado. O quadro nos outros anos é o mesmo.
Conforme revelou o Estado segunda-feira, a Prece preocupa PT e PMDB, já que os problemas ocorreram em seus governos. Em especial Marcelo Sereno, secretário-executivo de Benedita da Silva (PT) em 2002, e o secretário de Governo, Anthony Garotinho (PMDB), que governou o Rio de 1999 a 2002.
Hoje o fundo é considerado área de influência do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), operador político do casal Garotinho. Cunha tentou até impedir a quebra de sigilo da Prece pela CPI.
O déficit da Prece foi de R$ 13,86 milhões em 2001; R$ 74,77 milhões em 2002; R$ 146,69 milhões em 2003; e R$ 152,7 milhões em 2004. Entre o primeiro e o quarto ano, o aumento foi de 1.001,73%.
O único relatório da Atuas que não indica o motivo do rombo é o de 2001. Os demais culpam a baixa rentabilidade de aplicações. O de 2001 recomenda elevar as contribuições em 13,83%, o de 2002 em 24,9% e o de 2004, em 26,69%. O Conselho Fiscal da Prece, em parecer incluído no Relatório 2004, diz que o Prece I estava no quarto ano consecutivo de rombo.