Título: Infra-estrutura é a chave para o crescimento do Centro-Oeste
Autor: Clarissa Oliveira
Fonte: O Estado de São Paulo, 07/12/2005, Economia & Negócios, p. B8

Agronegócio, bens industrializados, serviços, bioindústria e turismo são a chave do desenvolvimento da região Centro-Oeste, mas qualquer avanço dependerá da capacidade de superação da falta de infra-estrutura, concordaram ontem os participantes do seminário Novo Mapa do Brasil, projeto desenvolvido pelo Grupo Estado para avaliar o potencial de desenvolvimento de cada região do País. "A infra-estrutura do Centro-Oeste melhorou muito, mas ainda é incapaz de acompanhar a evolução da demanda, afirmou Frederico Valente, diretor da Secretaria de Desenvolvimento do Centro-Oeste, ligada ao Ministério da Integração Regional. A falta de rodovias, ferrovias e hidrovias suficientes para atender a atividade local elevam os custos de transporte da região, disse Valente, lembrando que há problemas ainda na área de saneamento básico e de energia elétrica: "Investimentos nessas áreas poderiam ampliar significativamente a competitividade da região."

A correção dessas deficiências, segundo Valente, permitiria dinamizar o mercado interno do Centro-Oeste e ajudaria a formar a estrutura necessária para melhor aproveitamento do potencial turístico da região. Ele lembra que há um potencial elevado e inexplorado na área bioindustrial, que poderia, por exemplo, atrair empresas da área de medicamentos.

EXEMPLOS

Mas mesmo com todos os problemas, grandes empresas instaladas no Centro-Oeste foram bem sucedidas e um exemplo é a Perdigão, que tem fábrica instalada em Rio Verde (GO) desde o final da década de 90. O presidente da empresa, Nildemar Secches, lembra que, na época, as ruas não eram asfaltadas. "Cheguei a pedir que fotografassem aquilo, porque queria ver o que aconteceria em 10 anos", contou.

Hoje o faturamento da fábrica de Rio Verde é de R$ 1 bilhão, com exportações superiores a R$ 200 milhões. Mas Secches reconheceu que nem todos obtiveram o mesmo sucesso. "Tivemos que compreender que as características daquela região eram completamente diferentes e que, por isso, precisávamos de um projeto diferente." As altas temperaturas, por exemplo, exigiram a implantação de um sistema de controle térmico para conservação das aves. Hoje a Perdigão tem unidades em operação ou em construção em Mineiros (GO), Jataí (GO) e Nova Mutum (MS). A expectativa é que sejam criados 12 mil empregos diretos na região.

Outra companhia que cresceu no Centro-Oeste foi a Kepler Weber, que escolheu a cidade de Campo Grande (MS) para instalar em 2004 uma fábrica de sistemas de armazenagem de grãos. A iniciativa, que exigiu investimento de mais de R$ 100 milhões, se justifica pela força do agronegócio na região e pelas perspectivas de criação do Corredor do Pacífico. Segundo o presidente da companhia, Othon D'Eça, "ao observarmos o potencial daquela região vimos que a decisão não poderia ser outra". A empresa se comprometeu a utilizar mão-de-obra local e investiu em treinamento avançado e capacitação - são 600 empregos diretos e mais de 3 mil indiretos.

FINANCIAMENTOS

Tanto a Perdigão como a Kepler Weber receberam o estímulo de linhas de financiamento específicas. O Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), administrado pelo Banco do Brasil, liberou R$ 4,6 bilhões entre 2001 e 2004, para projetos ligados às áreas agropecuária, mineral, industrial, comercial, de serviços, agroindustrial e turística.

A região também faz parte das prioridades do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ao lado das regiões Norte e Nordeste. "O banco tem condições de apoiar um Estado com um financiamento bem amplo, que vai desde a matéria-prima até a industrialização desta matéria-prima", explicou o chefe da área agroindustrial do banco, Jaldir Freire.