Título: Colômbia compra 25 aviões de ataque por US$ 235 milhões
Autor: Roberto Godoy
Fonte: O Estado de São Paulo, 09/12/2005, Nacional, p. A10

Negociação dos Supertucanos da Embraer levou 9 anos e chegou a contrariar o governo dos Estados Unidos

A Força Aérea da Colômbia (FAC) anunciou ontem a compra de 25 aviões de ataque leve Supertucano, da Embraer. O contrato, no valor de US$ 235 milhões, cobre também o fornecimento de suprimentos. Os turboélices serão produzidos na fábrica de Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. A FAC, de acordo com o ministro da Defesa colombiano, Camilo Ospina, vai empregar o Supertucano nas ações de combate à guerrilha, de repressão ao narcotráfico e na defesa das linhas de fronteira. O prazo de entrega do lote de 25 unidades é curto - apenas um ano, entre 2006 e 2007. O dinheiro do programa vai sair de verbas orçamentárias locais. Em paralelo há uma linha de crédito disponível no BNDES em apoio à operação financeira.

A venda para a Colômbia é a primeira exportação do modelo, criado a partir de necessidades da Força Aérea Brasileira (FAB) para missões de defesa da Amazônia. O Comando da Aeronáutica encomendou 99 unidades (as A-29) e pagou pelo pacote cerca de US$ 530 milhões.

Há outras negociações evoluindo no México, Republica Dominicana, Venezuela, em países do Sudeste Asiático e Oriente Médio. Especialistas da Embraer estimam que até 2010 o mercado absorverá de 250 a 300 aeronaves dessa classe.

O entendimento entre os governos do Brasil e da Colômbia para o fornecimento dos aviões de ataque leve durou 9 anos. Avançava para final feliz em outubro de 2002, quando tropeçou na contrariedade do governo dos EUA. Segundo revelou o Estado, o general James Hill, então chefe do Comando Sul do Pentágono, enviou carta ao comandante das Forças Militares da Colômbia, general Jorge Rangel, aconselhando a FAC a desistir do negócio, virtualmente fechado, da compra de aviões de ataque leve. O processo de escolha, na época, se dava por licitação internacional anulada pelo presidente Alvaro Uribe pouco depois de sua posse. Na ocasião o Supertucano era o concorrente favorito.

Pequeno e ágil, o Supertucano é uma engenhosa combinação de recursos eletrônicos de última geração - equivalentes aos encontrados em modernos caças supersônicos - com a engenharia de custo baixo dos aviões turboélice. Isso permite que seja usado como aeronave de combate, com a capacidade de servir também para treinamento avançado de pilotos. No Brasil, a FAB vai empregar das duas formas a sua frota de A-29.

Todos os meses saem voando da fábrica de Gavião Peixoto 2 ou 3 Supertucanos. É uma máquina de guerra eficiente. Pode voar 7 horas no modo de patrulha armada. A velocidade máxima é de 590 km/hora.

Os dois canhões leves embutidos nas asas são as únicas armas fixas. Sob a asa e a fuselagem pode levar 1.550 quilos de bombas, foguetes, dois mísseis ar-ar Piranha, de curta distância e um designador laser destinado a conduzir até o alvo bombas inteligentes, orientadas por um feixe de luz invisível.

A eletrônica digital de bordo é avançada. O painel é dominado por duas grandes telas de cristal liquido que permite a alternância de 28 diferentes páginas de informações e de integração. O piloto conta com facilidades para uso de visores noturnos. Na FAB, o turboélice dispõe de um data link - por meio do qual as aeronaves de uma mesma força trocam dados e recebem instruções em tempo real - permitindo atuação combinada com os aviões de alerta avançado R-99A Guardião, construídos sobre o jato ERJ-145, da Embraer. A FAB dispõe de 5 deles, mais 3 outros na versão de sensoriamento remoto. Vigiam o meio ambiente. E, principalmente, fazem espionagem eletrônica.