Título: Bush: guerra matou 30 mil iraquianos
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/12/2005, Internacional, p. A13

O presidente americano, George W. Bush, disse ontem que aproximadamente 30 mil iraquianos morreram desde a invasão anglo-americana do Iraque em março de 2003. Ele calculou em 2.140 o número de americanos mortos em território iraquiano no mesmo período. O presidente disse isso ao responder a perguntas de jornalistas depois de um discurso na Filadélfia sobre as eleições iraquianas, que ocorrerão depois de amanhã. Em seu terceiro pronunciamento de uma série de quatro para defender sua estratégia na guerra contra o terrorismo, Bush admitiu que o pleito iraquiano não vai representar a solução dos problemas do país, principalmente o fim da violência. "Nenhuma nação em sua história fez uma transição para uma sociedade livre sem enfrentar desafios, reveses e erros iniciais, incluindo os EUA", ressaltou o presidente americano. "As eleições desta semana não serão perfeitas", acrescentou. "Os que atacam as forças iraquianas e americanas não vão ceder em razão de eleições livres e bem sucedidas", previu.

Bush focalizou o discurso de ontem na fase política de sua estratégia. Desde que o conflito no Iraque começou, disse ele, o povo iraquiano assumiu a soberania de seu país, realizou eleições livres, elaborou uma constituição democrática e aprovou um plebiscito nacional. O pleito de depois de amanhã, insistiu o presidente americano, é mais um passo do processo de democratização, mas não o último. "Há muito trabalho ainda pela frente e continuará existindo um certo nível de violência", advertiu.

Bush reiterou que a democracia no Iraque será um ponto de partida para a democratização do Oriente Médio. Segundo ele, esse processo terá um peso fundamental na pacificação da região, bem como na própria sobrevivência de Israel. Ele criticou o Irã e a Síria. Disse que o Irã não quer democracia no Iraque porque isso porá em xeque sua teocracia. E acusou a Síria de ser uma rota terrorista para o Iraque.

Por fim, o presidente americano condenou o abuso contra sunitas (minoria islâmica iraquiana que se opôs à invasão) detidos em cárceres do Iraque sob suspeita de terrorismo e advertiu: "Os que cometeram esses crimes deverão ser chamados a prestar contas."