Título: Lula ressuscita idéia de incluir livro na cesta básica
Autor: Lisandra Paraguassú
Fonte: O Estado de São Paulo, 22/12/2004, Nacional, p. A6

Proposta original, que a Casa Civil derrubou por considerar inviável, tinha sido apresentada por Cristovam Buarque, quando era ministro da Educação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressuscitou ontem uma idéia que meses atrás foi enterrada pela Casa Civil. Ao discursar em nome de Lula numa cerimônia ontem, no Palácio do Planalto, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), contou à platéia que o presidente havia dito, momentos antes, que tinha a intenção de colocar livros nas cestas básicas distribuídas em todo o País. Na verdade, a proposta foi feita originalmente em maio de 2003 pelo então ministro da Educação, Cristovam Buarque, e chegou a virar um projeto de lei. Acabou sendo engavetada pela Casa Civil do ministro José Dirceu porque "não seria viável".

Sarney contou a "idéia de Lula" durante cerimônia na qual o presidente sancionou o projeto de lei que dá isenção de impostos às editoras.

O presidente do Senado elogiou efusivamente Lula pela iniciativa. "Senhor presidente, se o senhor conseguir implementar essa idéia, fará no Brasil a primeira revolução cultural", disse. "A fome dos brasileiros também é uma fome de espírito."

A idéia teria ocorrido a Lula durante a campanha presidencial de 2002 - foi isso que o presidente teria dito a Sarney na conversa de ontem. Aparentemente, o presidente esqueceu de mencionar a Sarney o autor da idéia, demitido do seu ministério em janeiro, por telefone.

METAS

No programa do Ministério de Educação, preparado por Cristovam, a inclusão do livro na cesta básica era uma das metas.

Em maio de 2003, o então ministro - hoje senador - mandou sua equipe transformá-la em um projeto de lei e enviou à Casa Civil junto com outras 12 medidas que não foram aceitas ou nunca receberam resposta.

A reedição da idéia pegou Cristovam de surpresa. "Fico contente que adotem coisas que eu disse e provavelmente levaram à minha demissão, como ações de governo. Espero que adotem outras", disse o senador do PT.

Desde que foi demitido pelo telefone, o ex-ministro da Educação só voltou a se encontrar com o presidente Lula durante um jantar com a bancada do PT no Senado, há cerca de uma semana. Mas suas idéias não chegaram a ser discutidas.

Aparentemente, o projeto não tem prazo para ser implementado. No discurso, Sarney disse que se tratava de uma "vontade" que o presidente havia expressado.