Título: Estudantes atravessam a divisa todos os dias
Autor: Wálmaro Paz
Fonte: O Estado de São Paulo, 03/01/2005, Vida &, p. A8

SÃO BORJA - Muitos brasileiros que estudam Medicina em Santo Tomé, na Argentina, moram na localidade. É o caso de Mohamad Aboul Ola Júnior, de 19 anos, de Bragança Paulista, que preferiu morar na Argentina para baratear ainda mais os custos e apreender mais facilmente o idioma. Segundo ele, incluindo moradia, alimentação, transporte e a mensalidade da faculdade, gasta R$ 1.500,00 por mês. Se morasse no Brasil, aumentaria o gasto com transporte. A maioria, entretanto, prefere morar na cidade brasileira de São Borja para sentir-se em casa. A distância é de apenas 10 quilômetros, percorridos em meia hora por causa dos trâmites de fronteira. O pedágio para atravessar a ponte custa R$ 8 por dia; os estudantes organizam lotações em carros e dividem os custos.

O advogado Erick Siqueira Mattos, de 26 anos, de Angra dos Reis, tem um Passat e diariamente carrega quatro colegas para o outro lado. "Assim a gasolina e o pedágio ficam de graça para mim", explica, lembrando que sempre sonhou estudar Medicina, mas não passava no vestibular. Quando soube das facilidades de acesso, mudou-se para São Borja.

Paulistas de Indaiatuba e filhas de um médico que estudou em Rosário, Santa Fé, as irmãs Gláucia Guise Ramos, de 22 anos, e Cláudia Guise Ramos, de 24, preferiram estudar em Santo Tomé pela possibilidade de morar no Brasil.

O vestibular difícil e os preços altos da educação no Brasil foram as motivações principais da maioria dos brasileiros que estudam na faculdade de Santo Tomé. Eles esperam retornar ao Brasil quando revalidarem seus diplomas, mas alguns pensam até em ficar trabalhando naquele país.

Marco Antônio Dornelles, de 22 anos, conta que tentou quatro vezes o vestibular na Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, mas não foi aprovado.